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quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Fixados novos tamanhos mínimos para a captura de goraz, congro e boca negra



O Governo dos Açores acaba de fixar novos tamanhos e pesos mínimos para a captura de organismos marinhos das espécies goraz (Pagellus bogaraveo), congro (Conger conger) e boca negra (Helicolenus dactylopterus dactylopterus) nas águas da subárea dos Açores da Zona Económica Exclusiva (ZEE) nacional.

A decisão, que produz efeitos a partir de 1 de Janeiro do próximo ano, consta de uma portaria do subsecretário regional das Pescas, publicada terça-feira em Jornal Oficial, e é justificada com a “indispensabilidade de suster o declínio da biodiversidade nas águas em torno das ilhas dos Açores”.

Nos termos deste diploma, os tamanhos e pesos mínimos para captura daquelas espécies passam a ser de 250 milímetros ou 250 gramas para o boca negra, 1.300 milímetros ou 5.000 gramas para o congro e 300 milímetros ou 400 gramas para o goraz.

A nova legislação aplica-se às capturas de organismos marinhos das espécies goraz, congro e boca negra efectuadas por embarcações de pesca registadas nos portos dos Açores, assim como às capturas no âmbito da pesca sem auxílio de embarcação ou pesca apeada com fins comerciais, quando regulamentada.

Estas regras aplicam-se nas águas marítimas, a partir da linha de costa, quer à pesca comercial quer à pesca marítima exercida com fins meramente lúdicos.

Para efeitos do disposto nesta portaria, na Região Autónoma dos Açores correspondem à espécie Pagellus bogaraveo os peixes com os nomes comuns de goraz, peixão, carapau ou ruamba e à espécie Conger conger os peixes com os nomes comuns de congro ou safio.

Os organismos marinhos capturados nas águas da subárea dos Açores da ZEE nacional cujos tamanhos forem inferiores aos tamanhos mínimos agora fixados devem ser imediatamente devolvidos ao mar, não podendo ser mantidos a bordo, transbordados, desembarcados, transportados, armazenados, expostos, colocados à venda ou vendidos.

Todavia, podem ser autorizadas, por acto normativo genérico do membro do Governo Regional responsável pelas pescas, capturas temporárias de organismos marinhos da espécie goraz de tamanhos ou pesos inferiores, desde que os mesmos sejam utilizados, exclusivamente, como isco vivo para a pesca de espécies pelágicas e sejam mantidos vivos a bordo das embarcações de pesca.

O estabelecimento de tamanhos mínimos constitui uma medida técnica de protecção dos juvenis de organismos marinhos, no âmbito da conservação dos mananciais biológicos e de exploração equilibrada dos recursos haliêuticos, tendo em vista a manutenção da sustentabilidade da actividade da pesca.



GaCS/FG

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Baleias valem mais vivas do que mortas


A observação de baleias rendeu 1,4 mil milhões de euros no Mundo e atingiu 11,5 milhões em Portugal em 2008, foi anunciado esta terça-feira, dia em que a Dinamarca insistiu em pedir autorização para caçar baleias-corcundas.

"As baleias são mais valiosas vivas do que mortas e os benefícios económicos estendem-se para além da caça", disse o ministro australiano do Ambiente.

Falando numa conferência de imprensa no âmbito da 61.ª reunião da Comissão Baleeira Internacional, que decorre até depois de amanhã no Funchal, Peter Garret, sublinhou que, em 2008, a actividade movimentou 13 milhões de pessoas de 119 países.

Só em Portugal - sobretudo nas águas dos arquipélagos dos Açores e da Madeira, mas também nas do Sudoeste e Sul do continente - a observação de cetáceos movimentou 158.318 pessoas, segundo um relatório apresentado na reunião, em que participam delegações de 85 países.

Na véspera, a secretária regional do Turismo, Conceição Estudante, afirmou que a observação se transformou numa mais-valia para o turismo para a Madeira, onde a caça à baleia, praticada desde 1940, foi abandonada em 1981. As suas águas territoriais são uma espécie de "santuário" de cetáceos.

Os dados sobre a observação de baleias foram conhecidos no dia em que a delegação dinamarquesa foi acusada pela Sociedade para a Conservação das Baleias e Golfinhos (WDSC) de apresentar novos dados para "baralhar" a reunião e conseguir caçar uma dezena de espécimes por ano na Gronelândia.

Dinamarca quer caçar

A Dinamarca justifica a pretensão ao abrigo do programa de subsistência das populações autóctones. Caso o pedido, cujos dados de suporte foram apresentados à última hora, fosse aprovado, "seria a primeira vez em décadas que as baleias-corcundas, totalmente protegidas, seriam caçadas na Europa", avisou a WDSC.

A Gronelândia nunca esgotou as quotas de caça da baleia-minke, fixadas em 1991, e tem vindo a diminuir a quantidade capturada desta espécie a cada ano, acrescenta.

É a segunda tentativa da Dinamarca para conseguir uma quota de captura da baleia-corcunda, cuja caça comercial está proibida desde 1986. O primeiro pedido sido apresentado e chumbado em 2008.


Fonte: JN Sapo