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domingo, 27 de setembro de 2009

"A Madeira e os Açores não estão em perigo"


As pequenas ilhas são uma espécie em vias de extinção?


As ilhas com baixa altitude - as que estão um metro acima do nível do mar - enfrentam um risco muito grande. Algumas delas estão já ameaçadas e as populações mudaram-se para outros países ou para zonas mais elevadas. Em 2050, ainda não teremos um situação dramática. Mas se não reduzirmos as emissões, até 2100 a água subirá um metro e aí será grave.

Ainda há tempo para inverter o aquecimento do planeta?

Estamos a tempo. O crucial é saber quando vamos atingir o máximo das emissões e começamos a reduzir. Se travarmos as emissões em 2020 - o que acho improvável - o aumento de temperatura será de dois graus. Se for em 2050, então será mais do que isso.

É possível parar o aumento nos 1,5 graus, como exige a AOSIS?

Acho que isso é uma meta irrealista. Basta pensar que, em relação aos níveis pré-industriais, a temperatura já aumentou 0,8 graus.

O que é preciso fazer para ficar pelos dois graus em 2020?

Teríamos de fazer um esforço muito grande. Seriam necessárias medidas como a criação de impostos sobre o carbono - que se está a fazer em França. Teríamos de ser mais eficientes no uso de energia, cortar no consumo, produzir mais energia renovável. Travar as emissões criará um peso muito grande sobre a economia, não há dúvida.

De que forma o aquecimento global ameaça Portugal? Os arquipélagos estão em risco?

Madeira e Açores não são vulneráveis. Porto Santo é a ilha que mais riscos enfrenta, mas mesmo essa não desaparecerá. No Continente, haverá inundações especialmente na ria de Aveiro e na ria Formosa, e nos estuários do Tejo e Sado.

É possível que as previsões estejam erradas?

Há dúvidas nas projecções e modelos climáticos. Mas cada vez temos mais certezas sobre o aquecimento do planeta.


Fonte: DN

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Açores vão ter Comissão para alterações climáticas


O Governo Regional vai criar, no âmbito da Secretaria Regional do Ambiente e do Mar, uma Comissão para as Alterações Climáticas nos Açores.

A decisão foi tomada na última quinta-feira, em reunião do Conselho do Governo Regional e é justificada pelo facto “de esta ser uma problemática de grande importância para a sustentabilidade do planeta”.
O Governo Regional justifica ainda a criação da comissão com o facto da localização geoestratégica dos Açores, no centro do Atlântico Norte, e a sua dimensão arquipelágica imporem “uma redobrada atenção” por parte das autoridades regionais.
A nova entidade terá assim como missão propor “as bases para uma estratégia regional de mitigação e adaptação às alterações climáticas e elaborar uma proposta de Plano Regional sobre a matéria”.Acompanhar, informar e assessorar técnica e cientificamente a Secretaria Regional do Ambiente e do Mar a propósito das negociações nacionais e internacionais sobre alterações climáticas será outra das suas competências.
Recorde-se que em entrevista recente ao “Açoriano Oriental”, o delegado regional do Instituto de Meteorologia nos Açores, Diamantino Henriques, disse que os Açores vão ter Verões mais quentes e com menos chuva.Para São Miguel, a tendência é de menos chuva e mais calor, sobretudo para a costa sul, enquanto que na costa norte até se prevê que possa chover mais durante o Inverno.
A previsível diminuição da humidade relativa no arquipélago dos Açores em geral, num cenário a longo prazo, pode ainda levar à redução das nuvens que se formam sobre as ilhas, nuvens essas que contribuem para a precipitação.
“Vai haver um extremar de situações”, alerta Diamantino Henriques, que se baseia nas actuais previsões climáticas e, acrescenta, “se se verificar o cenário para 2100, teremos problemas de falta de água com a condicionante que aqui não temos rios nem albufeiras, nem outras formas de encontrar água a não ser pela chuva”.
O delegado regional do Instituto de Meteorologia defende, por isso, que os Açores se devem preparar para um cenário de falta de água com a população a praticar um consumo mais responsável e atenta aos desperdícios.
Aos incrédulos e aos optimistas, deixa um alerta: os Açores não estão à margem das alterações climáticas globais. Isto apesar de se poder pensar que, por estarem isolados e não serem uma região muito industrializada, estariam mais protegidos.
Diamantino Henriques recorda que nos Açores, o Observatório da Horta - um dos mais antigos do país - possui uma das mais longas séries climáticas da Europa, uma mais-valia em termos de estudo do clima.


quinta-feira, 25 de junho de 2009

Arquipélago poderá acolher "laboratório internacional"


O Arquipélago dos Açores pode vir a acolher um "laboratório internacional distribuído" destinado ao estudo das alterações climáticas no Atlântico-Norte, revelou hoje o ministro da Ciência e do Ensino Superior, Mariano Gago.

O projecto pioneiro foi revelado durante a assinatura, na cidade da Horta, de um protocolo de cooperação estabelecido entre a Fundação para a Ciência e Tecnologia e a Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos da América.

Segundo o governante, a criação deste laboratório constitui uma "oportunidade científica" para complementar "a malha de investigação observacional" que existe em várias partes do globo, ligadas ao estudo das alterações climáticas.

"O problema das alterações climáticas como oportunidade e não apenas como slogan é fundamental não apenas para a investigação científica mas também para todo o mundo", justificou Mariano Gago.

O ministro da Ciência adiantou que o protocolo de cooperação hoje assinado contempla um "estudo de viabilidade" para a instalação desse laboratório, que deverá englobar a observação por satélite, a observação de superfície e também de profundidade do Oceano Atlântico.

No seu entender, este projecto de "enorme ambição e dificuldade", só poderá ter sucesso se for "aproveitado pela Universidade de Massachusetts" e também pelas universidades portuguesas que tenham interesses nesta área de investigação científica.

Mariano Gago lembrou também que este laboratório é "um projecto europeu que está há anos em cima da mesa sem solução", por isso mostrou-se esperançado que o protocolo hoje assinado permita "ajudar a resolver os problemas científicos que estão em aberto no estudo das alterações climáticas.

Além deste estudo, o protocolo entre a Fundação para a Ciência e Tecnologia e a Universidade de Massachusetts pretende desenvolver duas outras áreas de investigação, ligadas às energias renováveis e às ciências do mar.

No caso das energias renováveis, a intenção é desenvolver iniciativas comuns integradas no "Ilhas Verdes", um projecto internacional dedicado ao estudo de energias alternativas em ilhas e arquipélagos.

Por outro lado, a investigação ligada às ciências do mar visa aproveitar o trabalho e o conhecimento que os investigadores do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores tem desenvolvido sobre o "mar produndo".

O governante explicou também que este protocolo tem "objectivos políticos e estratégicos", já que pretende reforçar a aproximação entre os Açores e o Estado norte-americano de Massachusetts, onde cerca de 50 por cento da comunidade é de origem açoriana.

Mariano Gago visitou depois as futuras instalações do Departamento de Oceanografia e Pescas na cidade da Horta, que estão em fase final de construção e deverão proporcionar melhores condições de trabalho aos investigadores e funcionários do Pólo da Horta da Universidade dos Açores, em instalações pré-fabricadas há mais de duas décadas.

Confrontado pelos jornalistas com os problemas financeiros da Universidade dos Açores, que alegadamente não tem dinheiro para pagar os vencimentos dos funcionários e professores até ao final do ano, o ministro recusou-se a falar no assunto, afirmando que não era o momento oportuno.


Fonte: Expresso

domingo, 21 de junho de 2009

Açores vão ter Verões cada vez mais quentes e com menos chuva



A temperatura média está a subir nos Açores 0,3 graus Celsius por década, sobretudo a partir de meados dos anos 70 do Século XX e de acordo com os vários cenários climáticos para o horizonte 2100, estima-se que nos Açores haja Verões cada vez mais quentes e com menos chuva.

"Esta tendência não se nota muito de um ano para o outro, mas daqui a 100 anos vai-se notar", afirma Diamantino Henriques, delegado regional do Instituto de Meteorologia (IM) nos Açores, em entrevista ao Açoriano Oriental. Um cenário que no caso concreto da ilha de São Miguel também tem a particularidade de acentuar essa tendência de menos chuva e mais calor sobretudo para a costa sul, enquanto que na costa norte até se prevê que possa chover mais durante o Inverno.

A previsível diminuição da humidade relativa nos Açores num cenário a longo prazo pode ainda levar à redução das nuvens que se formam sobre as ilhas, nuvens essas que dão actualmente um contributo importante para a precipitação. "Vai haver um extremar de situações", alerta Diamantino Henriques, baseando-se nas actuais previsões climáticas e, "se se verificar o cenário para 2100, teremos problemas de falta de água com a condicionante que aqui não temos rios nem albufeiras, nem outras formas de encontrar água a não ser pela chuva".

O delegado regional do IM é, por isso, da opinião que os Açores se devem começar já a preparar para um cenário de falta de água no futuro, "sobretudo na questão do consumo e do desperdício" para não terem de enfrentar daqui a 100 anos uma realidade climática muito diferente da que existe actualmente. Até porque os Açores não estão à margem das alterações climáticas globais, apesar de se poder pensar que, por estarem isolados e não serem uma região muito industrializada, estariam por isso mais protegidos. Diamantino Henriques esclarece: "quando se fala em aquecimento global ele é mesmo global e quando se fala em efeito de estufa, o CO2, por exemplo, é um gás que se mistura bem na atmosfera e tem um período de vida bastante longo". Por isso, não se concentra só no sítio onde é produzido, dispersando-se muito rapidamente.

Contudo, há que ter cuidado quando se fala em alterações climáticas. "As temperaturas e a pluviosidade desta Primavera podem ter sido bastante diferentes das do ano anterior, mas só isso não quer dizer que tenha havido uma alteração climática", afirma Diamantino Henriques. E se a temperatura regista uma evolução mais ou menos constante, já a pluviosidade, num clima como o dos Açores, pode ter variações superiores a 60 por cento, mesmo dentro de um período longo de tempo analisado. Nos Açores, pode-se afirmar que o clima está a mudar, mas os sinais são mais claros na temperatura do que na precipitação.

Hoje, ouvimos regularmente falar de incêndios, seca e calor extremo num lado e chuvas torrenciais, no outro, quase em simultâneo. Diamantino Henriques não considera que estes sejam fenómenos tão anormais quando às vezes se faz crer, mesmo quando se atingem máximos históricos de temperatura ou de pluviosidade. "Esses fenómenos têm hoje maior visibilidade e mesmo quando ouvimos o nosso avô dizer que nunca viu uma coisa assim, temos de ter em conta que a memória das pessoas não é melhor do que a leitura de um instrumento meteorológico, além de que as pessoas estão hoje tão termoestabilizadas, devido ao maior conforto, que qualquer alteração é logo notada", conclui o delegado regional do IM.*

*Leia a reportagem completa na edição impressa do Açoriano Oriental de 21 de Junho de 2009.