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quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Sondagem RTP/Antena 1 dá vitória ao PS


O PS e o PSD já não estão empatados nas intenções de voto dos portugueses. José Sócrates tem agora seis pontos de vantagem sobre Manuela Ferreira Leite.
De acordo com uma sondagem da Universidade Católica para a RTP e Antena 1, o Partido Socialista obtém 38 por cento, PSD regista 32 por cento. O Bloco sobe e consolida o terceiro lugar com 12 por cento. A CDU desce para 7 por cento, e fica empatada nas intenções de voto com o CDS. Outros partidos têm 2%.


Fonte: RTP

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Analistas apontam autonomia dos Açores como a derrotada do "braço-de-ferro"


A "grande derrota" da autonomia dos Açores pelo "calculismo partidário" é o resultado do "braço-de-ferro" entre Governo, Parlamento e Presidência da República, segundo analistas políticos ouvidos hoje pela Agência Lusa.

"A grande perdedora é a autonomia dos Açores, assim como o prestígio do Parlamento, mais uma vez ferido. Nomeadamente, alguns partidos que participaram no processo, mas que se apressaram agora a dizer que o derrotado era o PS", disse à Agência Lusa Adelino Maltês, do Instituto Superior Ciências Sociais e Políticas.

Maltês considerou que toda a polémica em torno do Estatuto Político-Administrativo dos Açores "reforça a necessidade de revisão constitucional", a fim de ser construída uma autonomia "não afectada pela longa tradição absolutista e capitaleira do Estado centralista".

"Os países federalistas, como os Estados Unidos, a Suíça ou o Reino Unido, por exemplo, são dos mais unidos do Mundo. O problema é que muito boa gente não gosta de pensar que os povos podem assumir o seu destino e manter a sua identidade nacional", concluiu, antevendo movimentos semelhantes na Região Autónoma da Madeira.

O investigador do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa António Costa Pinto preferiu destacar o "calculismo político inerente a este braço-de-ferro", referindo-se à coincidência da iniciativa socialista com as eleições regionais açorianas.

"Muito rapidamente, tudo se transformou em tensão entre o Presidente da República e o PS de Sócrates, no Governo, sobretudo com a declaração dramática de há um ano. Cavaco Silva optou por uma estratégia política de fazer retrair o Parlamento e o Governo, enquanto o PS preferiu apoiar o PS regional, devido aos habituais compromissos", afirmou Costa Pinto à Lusa.

O analista definiu o sucedido como "um exemplo clássico de como os partidos testam os limites das próprias instituições, com base nos seus próprios interesses e gestão de apoios", embora considere que em nada se vai repercutir nas próximas eleições legislativas, até porque "o PSD também apoiou inicialmente a iniciativa".

"A questão do poder sub-nacional transcende a especificidade dos Açores. Têm existido numerosos braços-de-ferro entre o poder central e as regiões autónomas. Isto revela a ausência de equilíbrio e de consolidação da distribuição de poderes, seja em termos autonómicos ou noutros níveis. Portugal é o país mais centralizado da Europa", disse também à Lusa o politólogo Carlos Jalali.

Jalali declarou Cavaco Silva como "claro vencedor" do conflito, naquele que classificou como "o primeiro passo de endurecimento das relações com o Governo, apesar de o Presidente da República ter sido muito criticado na altura".
O Tribunal Constitucional declarou quinta-feira a inconstitucionalidade de várias normas do Estatuto Político-Administrativo dos Açores, dando razão à maior parte das objecções ao diploma colocadas por Cavaco Silva, que vetara a iniciativa por duas vezes.

A nova redacção do documento, que consta da Lei 2/2009, de 12 de Janeiro, foi depois aprovada pela Assembleia da República, em 19 de Dezembro, com os votos favoráveis do PS, PCP, CDS/PP, Bloco de Esquerda e Os Verdes e a abstenção do PSD.

O PS já declarou que tenciona respeitar a decisão do Tribunal Constitucional, mas, por seu turno, os socialistas açorianos anunciaram que vão tentar concretizar as alterações numa futura revisão da Constituição, "já que o estatuto foi aprovado por unanimidade na região e sem votos contra no Parlamento".


Fonte: Expresso