Mostrar mensagens com a etiqueta mergulho. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta mergulho. Mostrar todas as mensagens

sábado, 21 de novembro de 2009

A Capital do Mergulho é um diamante em bruto


A Graciosa acolheu, no início deste mês, a II Bienal de Turismo Subaquático dos Açores. Três dias de debate com o envolvimento de operadores turísticos, fotógrafos, agentes de viagem, representantes da Federação Portuguesa de Actividades Subaquáticas, convidados estrangeiros, biólogos, geólogos, governantes, médicos e jornalistas.


O potencial dos Açores e a margem de crescimento do turismo de mergulho são conclusões do evento, bem como a necessidade de proteger zonas marinhas, definir estratégias e limar dificuldades relacionadas com os transportes.


No caso da promoção, o documento final sublinha a importância de divulgar o produto mergulho, associado à classificação de Reservas da Biosfera das ilhas Graciosa, Corvo e Flores.
A organização, constituída pela Associação Regional de Turismo (ART) e Associação Graciosense para a Promoção de Eventos (AGRAPROME), transmitiram as conclusões na sessão de encerramento dos trabalhos, que agora pode recordar.


por : Luís Costa


Fonte: RTP

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Câmara hiperbárica nas Flores



O secretário regional da Saúde visitou hoje, nas Flores, as obras que decorrem na sala destinada à câmara hiperbárica que vai ser instalada no Centro de Saúde.

Miguel Correia disse que estão criadas as condições para que o equipamento possa entrar em funcionamento no início de próximo ano. Esta câmara hiperbárica destina-se a apoiar a prática de mergulho no grupo ocidental.

No mesmo Centro de Saúde das Flores também estão em construção instalações destinadas ao serviço de hidroterapia, que deverá ser inaugurado em breve.

Miguel Correia anunciou também que o Centro de Saúde vai dispor de uma sala de autópsias para cobrir as necessidades da valência de medicina legal.


GaCS/RC

domingo, 1 de novembro de 2009

Defendida dinamização do turismo subaquático


Os participantes na Segunda Bienal de Turismo Subaquático dos Açores, reunidos em Santa Cruz da Graciosa, defenderam a necessidade “de criar e dinamizar grupos de operadores marítimo-turísticos" para a actividade.

“Estes grupos podem representar este sector económico emergente junto dos vários parceiros e entidades com envolvimento no processo de Desenvolvimento Sustentável do Turismo Subaquático dos Açores”, consideraram os participantes no encerramento dos trabalhos no sábado à noite.

No final de dois dias de trabalhos, os especialistas e técnicos entenderam que o turismo subaquático nos Açores, apresenta um elevado potencial de crescimento, em particular, nas ilhas de menor dimensão como a Graciosa, São Jorge, Santa Maria, Flores e Corvo.


sábado, 31 de outubro de 2009

Promoção e protecção de zonas marinhas potenciam crescimento do turismo subaquático





A protecção de zonas marinhas, englobadas nos parques de ilha ou noutros instrumentos de gestão ambiental, a par de uma forte campanha de promoção em que o Governo dos Açores está empenhado, são dois dos factores que potenciam o crescimento significativo do turismo subaquático na Região.



Esta realidade foi assumida este sábado na ilha Graciosa, numa mesa redonda em que participaram técnicos das direcções regionais do Turismo e do Ambiente, incluída no programa da II Bienal de Turismo Subaquático dos Açores.



No fórum foram debatidas as vantagens desta actividade turística em expansão, bem como as condições excepcionais que o arquipélago tem para oferecer, proporcionando aos turistas actividades no mar e em terra.



Foram também identificadas algumas dificuldades, nomeadamente a nível de instalações de apoio e co-existência por vezes conflituosa com outras actividades, áreas para as quais foram anunciadas medidas por parte do Governo, através de investimentos e de ordenamento do território.



Das conclusões da Bienal, destaca-se a ideia de que é importante todos os interessados participarem na definição das estratégias para o desenvolvimento do mergulho e acompanharem o processo em curso incrementado pelo Governo de gestão do território em terra e no mar, para garantir a preservação da rica bio-diversidade da Região.



É também defendido que o turismo subaquático e as pescas não são incompatíveis e que toda a comunidade deve beneficiar do desenvolvimento sustentável de cada uma das nove ilhas.



Outro aspecto referido nas conclusões do fórum é a necessidade de aumentar e melhorar a informação, formação, sensibilização e fiscalização dos utilizadores do meio aquático.



No caso da promoção, o documento final do encontro refere que é importante divulgar o produto mergulho associado à classificação de Reservas da Biosfera das ilhas Graciosa, Corvo e Flores, bem como a outros ícones do mar açoriano. Produtos multimédia e edição de livros de fotografia também são considerados essenciais para essa promoção.



GaCS/FA

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Região aposta no turismo de mergulho




O Governo dos Açores está empenhado no crescimento do turismo de mergulho na Região e para isso vai reforçar as vertentes da promoção e dos apoios ao investimento no sector.

A garantia foi assumida hoje pelo director regional do Turismo que falava na sessão de abertura, a que presidiu, em representação do presidente do Governo, Carlos César, da II Bienal do Turismo Subaquático que decorre de hoje até domingo em Santa Cruz da Graciosa, um fórum que considerou ser de grande importância.

Miguel Cymbron disse que o reforço promocional vai desenvolver-se, nomeadamente, com a participação em feiras e outros fóruns da especialidade, como os salões náuticos de Barcelona e Paris, bem como através de acções de familiarização para operadores e jornalistas.

O director regional lembrou que o turismo náutico é considerado pelos analistas como um sector com um dos maiores potenciais de crescimento para os próximos anos e, por isso mesmo, foi elencado, pelo Turismo de Portugal, como “um dos 10 produtos estratégicos para reestruturar a oferta turística nacional”.

No âmbito do turismo de natureza, que constitui a principal vertente da oferta turística dos Açores, Miguel Cymbron destacou a importância das actividades náuticas e do mergulho, em particular, salientando que o sector se revelou, na última década, “lucrativo e volumoso”, e que os Açores podem potenciar essa dinâmica, dada a localização privilegiada entre os continentes europeu e americano e oferecendo “condições únicas para a actividade no panorama nacional”.

O director regional reconheceu que a actividade do turismo subaquático tem evoluído acentuadamente na Região, “com as operações existentes a aproximarem-se de standards elevados” e com centros de mergulho de qualidade que, “além de oferecerem mergulho recreativo tradicional oferecem também mergulho técnico”, contribuindo para a afirmação do sector.

“Acreditamos que através de esforços conjuntos entre a parte institucional e os empresários, com a criação de centros de excelência, podemos claramente afirmar os Açores como um dos destinos de mergulho a nível europeu”, concluiu Miguel Cymbron.

A II Bienal de Turismo Subaquático é uma iniciativa da Associação Graciosense de Promoção de Eventos (AGRAPROME), em parceria com a Associação Regional de Turismo (ART), e conta com o apoio do Governo dos Açores e da Câmara Municipal de Santa Cruz da Graciosa.

Os principais objectivos do encontro são a afirmação dos Açores como destino de mergulho e o debate de temáticas relevantes para o sector, em áreas como Turismo e Mergulho, Reservas Marinhas, Saúde e Segurança, Comércio e Serviços no Mergulho e Empreendedorismo.

No âmbito da Bienal, estão patentes exposições de fotografia subaquática de Nuno Sá e Luís Quinta e outra de pintura de Margarida Madruga.



GaCS/FA

sábado, 10 de outubro de 2009

As ilhas dos Açores são o destino perfeito para quem gosta de mergulho



Pela conservação privilegiada de um ecossistema único, o ecoturismo, especialmente o mergulho, é um dos principais atrativos do arquipélago dos Açores. As paisagens submarinas, com seus declives acentuados e compostos de cavernas e arcadas, abrigam uma grande diversidade de fauna marinha, com algas, cardumes e peixes difíceis de se ver em outros lugares. A excelente visibilidade (dá para ver até 30 metros, o que é pouco comum) é um fator adicional para fazer das Açores um dos destinos privilegiados de mergulhadores do mundo todo. Ainda no verão, entre os meses de junho e setembro, as temperaturas das águas são mais altas, entre 17 e 24 graus.



O arquipélago dos Açores é composto de nove ilhas vulcânicas principais, cada uma com várias outras ilhotas ao redor. Está situado bem no meio do Oceano Atlântico, a uns 1,5 mil quilômetros da costa européia e 3,9 mil quilômetros da costa dos EUA. Antiga colônia, hoje é um território autônomo de Portugual, com pouco mais de 240 mil habitantes, e integrado à União Européia.

Para desfrutar dos passeios pelos mares açoreanos é preciso recorrer aos serviços oferecidos nas ilhas, como aluguel de barcos e botes, além dos equipamentos. Há dois passeios comuns, por cima e por debaixo do mar. Alugando-se um barco, dá para percorrer toda a península em pouco mais de quatro horas. É importante levar máquinas fotográficas e filmadores para registrar animais que surgem próximos, como os golfinhos, baleias, tartarugas e outras espécies. Se optar pelo mergulho, quase sempre terá de alugar um bote que transporte de uma ilha principal às pequenas ilhotas (dura em média 30 minutos até chegar ao local). São nestas pequenas ilhas que estão os santuários mais conhecidos para mergulho (o preço dos aluguéis do barco/bote ficam entre 35 e 50 euros).

Para começar, a recomendação é Graciosa, uma das ilhas principais: é ideal para iniciantes. Indo aos poucos, vá em direção à Baía da Poça, ainda não muito profunda. Aproveite para ver ali a fauna característica com os sargos e os congros. Então chegue em Ilhéus do Carapacho, que fica a cinco quilômetros. Lá há rochedos cobertos por anêmonas, e também salemas, sargos, peixes-rei e foliões nalgumas grutas.

Passado o primeiro estágio de conhecimento dos pontos de mergulho em Graciosa, vá para Flores, outra ilha principal. Lá há ilhotas com points de mergulho mais profundos, como a Baixa de São Pedro e a Baixa dos Morros (entre 20 e 30 metros). Ali os declives são acentuados, com peixes-balão, moreias-pretas, moreões, abróteas e cavalos marinhos. Nas pontas do declive vê-se bicudas, lírios, serras e "bolas" de chicharro. Quando a coragem aumentar, então escolha Ilhéu de Monchique, para um mergulho de até 43 metros de profundidade, que exige cuidados com as correntezas.

Em São Miguel, a terceira ilha principal, o point mais badalado é a Ilhéu de Vila Franca. Como é mais próxima e segura, tem muita gente. É possível encontrar ouriços do mar, bicudas, anchova, atuns, pequenos tubarões de várias espécies, raias e espadartes, entre muitos outros.

Quem deseja ver restos de naufrágios deve ir à Navio Dori, uma ilhota onde está afundado, há mais de vinte anos, o navio que lhe confere o nome - mas é preciso tomar cuidado, pois o casco corre risco de despencar. Mas se quiser ver grutas, então desembarque em Ponta da Galera: são 30 metros de profundidade, onde é possível mergulhar por dentro das cavernas, repletas de peixes-balão, salmonetes, entre outros. A flora dominante são as asparagopsis armata, um tipo de alga vermelha.

A ilha Terceira é onde está o porto. A opção mais arrojada é a Baía de Angra, que tem a entrada pelo cais do Clube Naútico de Angra do Heroísmo. É nela que está o famoso Cemitério das Âncoras: restos de navios e de áncoras perdidas, testemunho de um histórico de ancoragens mal sucedidas. Há moreias, besugos, costureiras e lírios.

Para encerrar, o nível mais avançado e perigoso de toda Açores: Pico. É a partir dela que se pode percorrer oito quilômetros até a pequena ilha chamada Baixa do Canal, que resguarda um dos níveis de conservação mais intactos do arquipélago. Agora é a vez das vajas, garoupas, jamantas, encharéus, não se esquecendo dos marinhos de grande porte como baleias, golfinhos e tubarões.

Agência Andrés Bruzzone Comunicação



Fonte: Terra.br

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Turismo Subaquático dos Açores em debate na Graciosa



Apostar no Mergulho como produto estratégico do Turismo dos Açores, é o que pretende a segunda Bienal de Turismo Subaquático dos Açores (BTSA), a qual irá reunir na Graciosa, de 29 de Outubro a 1 de Novembro do corrente ano, um amplo conjunto de especialistas, agentes e prestadores de serviços associados ao turismo e mergulho para debater temas gerais como turismo e mergulho; empreendedorismo associado ao mergulho; mergulho como actividade sustentável e ambiente; saúde e segurança no mergulho; e aspectos técnicos do mergulho.

Esta iniciativa, organizada pela Associação Graciosense de Promoção de Eventos – AGRAPROME – em conjunto com a Associação Regional de Turismo – ART, segundo nota de imprensa, “é um evento que se pretende de referência na área do mergulho a nível nacional e que tem como objectivos principais a afirmação dos Açores como destino de mergulho e o debate de temáticas relevantes para o sector”.

Essa mesma afirmação, revela o documento, seria feita “através da promoção da actividade e oferta dos serviços turísticos associados, tendo por base um modelo de desenvolvimento turístico sustentável e responsável”.

A BTSA, que terá lugar no Centro Cultural de Santa Cruz da Graciosa, é dirigida a toda a comunidade associada ao turismo e desportos subaquáticos e, em particular, aos centros de mergulho, clubes navais, operadores marítimo-turísticos, agentes de viagem, associações de mergulho e praticantes. Constitui também uma oportunidade para outros agentes do sector do turismo para se informarem sobre o potencial e características do turismo subaquático, tais como os empresários de hotelaria e de restauração e as associações empresariais, e ainda para os técnicos de serviços de saúde e de emergência, conforme divulga a referida nota de imprensa.

Para além do programa técnico, este evento contará com um amplo programa social com vista a promover a interacção entre os participantes, acompanhantes e comunidade local e a fruição com a paisagem e as restantes potencialidades turísticas da ilha Graciosa.

Apresentação de trabalhos até 8 de Setembro

Serão aceites propostas para apresentação oral ou de posters na BTSA, aberta a todos os interessados, as quais serão avaliadas e seleccionadas pela comissão técnico-científica.

Os candidatos devem enviar ao secretariado o resumo do trabalho até 8 de Setembro, e a confirmação da aceitação das propostas será comunicada até 20 de Setembro, sendo necessário um dos autores proceder à inscrição até 30 de Outubro.

A participação requer o preenchimento da ficha e o pagamento da taxa de inscrição de 30 Euros, valor que inclui a participação nas sessões, na recepção, no jantar convívio e a documentação.

Em relação a viagens e alojamentos, as informações serão disponibilizadas em breve, entre outros dados, através do site oficial do evento: http://bienal-turismosubaquatico.org/.

Mergulho nos Açores

A localização geográfica dos Açores permite a realização de imersões únicas onde se destacam a existência de grandes pelágicos e uma visibilidade que varia entre os 10 e 30 metros, resultado de uma grande variedade de locais de mergulho e de geologia de fundo. É possível proporcionar aos participantes diversos tipos de mergulho, tendo em conta a existência de uma variada flora, fauna e de inúmeros túneis, cavernas e grutas dado a origem vulcânica das nossas ilhas, segundo informação disponível no site da Internet da BTSA.


Fonte: A União

terça-feira, 21 de julho de 2009

Um padre apaixonado pelo mar da Ilha Graciosa

João Brasil, sacerdote, páraco de São Mateus na Ilha Graciosa, é um apaixonado pelo mar.


Ligado umbilicalmente ao mar, o Pe. João Brasil gosta de ir pescar nos tempos livres. Com 44 anos (30 de Julho de 1965), este sacerdote da diocese de Angra nasceu na Ilha de S. Jorge e, actualmente, é pároco na Ilha Graciosa. "Comprei um pequeno barco com os meus irmãos e pescava com familiares e amigos" - disse à Agência ECCLESIA.


Nas lides piscatórias, o padre pescador esclarece que não faz pesca de rede. Apenas "submarina, miudeza e, menos vezes, a pesca do alto". E acrescenta: "tipo de pesca artesanal". A cana, a linha e o anzol são utensílios essenciais para ocupar os tempos livres. Ordenado sacerdote a 25 de Junho de 1989, este pescador sublinha que "nem sempre se consegue tirar peixe".

Quando o grupo de amigos se junta e o mar está propício, o barco é o companheiro na ondulação. "Vamos pescar para fazermos uma jantarada" - disse. Quando a faina é boa, este grupo de amigos não vende o peixe. Se sobrar "damos às pessoas". Os açorianos têm o mar no sangue e quando "temos um bocadinho de tempo vamos relaxar, descansar e pescar para o mar".

Como o mar não é para brincadeiras, o Pe. João Brasil vai sempre com os amigos para o Oceano Atlântico. Após a pescaria, as brasas esperam pelo fruto do hobby. Na confecção, "todos fazem qualquer coisa". Enquanto uns abrem o peixe, os outros preparam a mesa para o repasto da comunhão.

Este pescador não gosta de ser conotado com o ditado popular - «Pescador e Caçador são uns exagerados» e confessa que não sabe "nem o tamanho, nem o peso dos peixes" que a linha trouxe com a ajuda do isco. "Não ligo a records". O lírio, chicharro, veja, garoupa e o sargo são as espécies mais abundantes no mar que banha a ilha Graciosa. "Temos também a miudeza - peixes mais pequenos - que servem para fritar" - esclarece.

O Verão é a estação preferida para as pescarias. "No Inverno o mar está mais perigoso, por isso vamos poucas vezes". Não se aventuram a percorrer muitas milhas. "Para pescar não é preciso ir muito longe, temos aqui algumas baías".

Para além de ser pescador em part-time, o Pe. João Brasil é também instrutor de mergulho de garrafa. "Sou instrutor de escafandro" - explica. Lentamente, tirou o curso com uns amigos e dá aulas nesta área. Actualmente, "estamos a dar um curso a onze pessoas".


A pesca submarina é outra paixão. "É diferente porque temos de ir para as «baixas» (rochas mais afastadas) onde existem pesqueiros". Com o barco ao largo - "fica sempre alguém a tomar conta da embarcação" - e o seu equipamento, o Pe. João Brasil mergulha na busca do peixe e das belezas do mar. O medo elimina-se com a experiência, mas "já apanhei alguns sustos: tempestades e tubarões". Também já visualizou baleias, todavia estas "passam mais na zona da ilha do Pico e do Faial".

As regras estão estabelecidas. Na pesca submarina não se pode "apanhar mais de dez peixes" por pessoa. Se o número for superior, "estamos sujeitos a uma multa da Polícia Marítima". Nas lides piscatórias nem sempre corre tudo bem. "Às vezes perde-se um arpão, uma arma ou a bóia com o peixe" - reconhece.

Este sacerdote não tem medo dos peixes. Já os conhece e sabe os seus hábitos. "As moreias estão lá nos seus buracos e não temos nada que colocar lá as mãos" - disse. Este pescador consciencioso só "apanha o peixe necessário". Olha para o futuro e fica preocupado com o desaparecimento de algumas espécies.




Os golfinhos são os parceiros predilectos neste sobe e desce das ondas. "Vêm brincar, muitas vezes, para a proa do barco". Para além destes cetáceos, os paroquianos são os companheiros de viagem. "Somos poucos padres e cada um tem as suas acções pastorais".

De forma oval e com cerca de 60 Km2 de superfície, a Ilha Graciosa tem quatro paróquias: Praia (S. Mateus); Santa Cruz, Guadalupe e Luz. Pouco montanhosa, plana e baixa na área norte e nordeste, eleva-se lentamente até à altitude de 398 m no Pico Timão, localizado no centro. O Pe. João Brasil tem a seu cargo a paróquia da Praia - cujo padroeiro é S. Mateus - e também joga futsal, tocou violão num rancho folclórico da Ilha de S. Jorge e é professor de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC).

No mergulho amador, o limite de profundidade "não nos deixa passar dos 40 metros". Uma descida por etapas com a ajuda de um "computadorzinho que nos regula" e transmite a informação correcta e os "tempos de descompressão". Com paragens obrigatórias, os mergulhadores devem saber "as sequências" para que o organismo não sofra as sequelas.

Nas profundezas do oceano, este padre da Ilha Graciosa sente-se no "mundo do silêncio". E acrescenta: "é o melhor que os Açores têm". Ao falar das cores que iluminam o oceano, o Pe. João Brasil esclarece: "com a profundidade vão-se perdendo algumas cores". Desaparece o vermelho, o amarelo... O mergulho tem "outra beleza" até aos 20 metros de profundidade. Com a sua máquina fotográfica regista estes segredos do mar. "É um hobby muito engraçado".

A timidez da sua voz indica-nos o caminho... Aponta-nos para o transcendente e as razões deste misticismo. "Habituámo-nos a viver sozinhos e fechados pelo mar". Este é "o primeiro companheiro", por isso "o açoriano é introvertido por natureza".

Apesar de considerar o mar como companheiro, este sacerdote não tem o hábito de ir sozinho para o oceano. "Pode acontecer algo... uma das regras de segurança é ir acompanhado". Olhar o estrelado do céu e sentir o baloiçar das ondas também não é muito aconselhável. "Também não gosto. Já fiz mergulho nocturno e não gostei muito" - confessou.


Tal como a movimentação marítima que «beija» as ilhas de bruma, o nevoeiro inicial do diálogo começa a desvanecer-se. A contrariedade existente no arquipélago - vulcões e terramotos - "ajuda a ligarmo-nos ao transcendente". Em certas circunstâncias considera-se introvertido. "No início sou..." - confessa.

Os sismos moldam a personalidade do açoriano e a tradição religiosa popular centra-se no pedido de auxílio. Nossa Senhora da Saúde e Nossa Senhora do Socorro são expressões "utilizadas com frequência".

Tem duas embarcações - «S. Mateus» (faz parte de uma sociedade) e o «Trimix». O Pe. João Brasil explica o porquê dos nomes dos barcos. O Trimix é um barco de fibra - com 5 metros e 45 centímetros - e esta expressão utiliza-se no mergulho. "É um mergulho com três misturas". Em relação ao S. Mateus, "colocámos este nome porque é o padroeiro da paróquia".

Conotado com a sua riqueza ao nível do peixe, o Pe. João Brasil frisou que, actualmente, "já não existe tanto peixe como as pessoas pensam". As redes "clandestinas estão a matar muito peixe" porque as pessoas "não cumprem as regras".

Foi para o seminário com 15 anos, mas sempre que estava de férias o mar recebia-o de braços abertos. "Os superiores do seminário não lhe diziam nada porque são açorianos e percebem esta ligação entre as pessoas e o mar". Enquanto nas ilhas maiores - caso de S. Miguel - existem freguesias de costas voltadas para o mar, nas ilhas mais pequenas - caso da Graciosa e S. Jorge - "muitas famílias não compram peixe". Há sempre uma que tem um barco e apanha peixe para os vizinhos. "Existe o sentido de comunidade e comunhão entre as pessoas". E completa: "Na ilha Graciosa não há uma peixaria".
Conhece as nove ilhas que compõem o arquipélago - Corvo, Flores, Graciosa, Pico, S. Jorge, Faial, Terceira, Santa Maria e S. Miguel - e quando lhe disse que estive duas semanas na Ilha do Corvo respondeu prontamente: "Isso é um acto heróico". Não teve problemas de adaptação na Graciosa porque as estas terras vulcânicas são "praticamente todas semelhantes".

Ordenado há 20 anos, o Pe. João Brasil esteve dois anos na Ilha das Flores, 10 em S. Jorge e está há oito anos na Ilha Graciosa. "Estamos sempre a aprender com os outros" visto que cada ilhéu tem a sua experiência de vida.

Com cerca de mil paroquianos e os serviços pastorais organizados, este padre considera-se próximo da população. "Devemos estar com as pessoas e movimentar os grupos existentes". E conclui: "a maioria dos apóstolos eram pescadores".

Fonte: Agência Ecclesia