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terça-feira, 6 de abril de 2010

Director da Divisão Europeia da Birdlife International nos Açores



Em Outubro de 2003, a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves e o Governo dos Açores iniciaram uma parceria para a defesa do Priolo, ave endémica dos Concelhos do Nordeste e Povoação na Ilha de São Miguel. Com o co-financiamento da Comissão Europeia, através dos Programas LIFE e LIFE+, e a colaboração das Câmaras Municipais do Nordeste e da Povoação, da Universidade dos Açores, da Real Sociedade para a Protecção das Aves do Reino Unido (RSPB) e da Birdlife International foi possível desenvolver dois projectos de investigação e de intervenção de elevado valor e um alcance extraordinário, não apenas ao nível ecológico, mas também económico e social.

“Hoje, o priolo é um símbolo para os Concelhos Orientais de São Miguel e, progressivamente, vai-se transformando numa mais valia económica” adiantou o Secretário Regional do Ambiente e do Mar, Álamo Meneses, acrescentando que “no Nordeste já há programas de visitação especializados em ornitologia e com base no priolo o que significa que há, de facto, pessoas interessadas em ver esta ave no único local do mundo onde isso é possível.”

É neste contexto que o Governo aplaude a visita aos Açores do Director da Divisão Europeia da Birdlife International, Angelo Caserta, nos dias 7 e 8 de Abril. Esta instituição representa grande parte das maiores organizações não-governamentais do mundo ligadas à conservação da avi-fauna. Apenas a RSPB, uma das associadas, tem mais de um milhão de sócios.

Durante a sua estadia nos Açores, Angelo Caserta dará uma Conferência de Imprensa no dia 7 de Abril e visitará as infra-estruturas dos projectos nos Concelhos do Nordeste e da Povoação. Fará ainda, no dia 8, uma visita ao Ilhéu de Vila Franca integrado num terceiro projecto LIFE+ denominado “Ilhas Santuário para as aves marinhas” e que se desenvolve na Ilha do Corvo e neste ilhéu de Vila Franca do Campo em São Miguel.

Os projectos “Priolo” e “Laurissilva Sustentável” têm como principais objectivos a protecção dos habitats naturais existentes na Zona de Protecção Especial do Pico da Vara - Ribeira dos Guilherme, zona que inclui a maior mancha de vegetação natural existente na ilha de São Miguel, e uma das maiores em todo o arquipélago, e da qual o priolo depende. Estes projectos servem também como modelos para a gestão a implementar na componente terrestre dos Parques Naturais de Ilha dos Açores. Os projectos obtiveram um financiamento total de 5 milhões de euros, sendo cerca de 1 milhão financiado pelo Governo dos Açores através das Secretarias Regionais do Ambiente e do Mar e da Agricultura e Florestas.

Para além da componente financeira, o Governo tem também a seu cargo diversas acções. Entre estas, destaca-se o recente registo da Marca Priolo. Através deste passo, será possível certificar produtos e serviços amigos do ambiente com génese nos Concelhos em que distribui esta espécie única. O projecto “Laurissilva Sustentável” terá o seu terminus em 2012.



GaCS/SF/SRAM

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Projecto de conservação de aves marinhas nos Açores



A Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) - BirdLife em Portugal - está a desenvolver um projecto de conservação de aves marinhas na ilha do Corvo, nos Açores. A iniciativa LIFE «Ilhas Santuário para as Aves Marinhas» visa estudar a erradicação completa de espécies exóticas que ameaçam um dos principais santuários destas aves do Oceano Atlântico.


Para expor os objectivos e os primeiros resultados do projecto vai decorrer uma apresentação pública na sala de convívio da Santa Casa da Misericórdia do Corvo hoje, pelas 21 horas.


A SPEA coordenadora do LIFE em parceria com a Secretaria Regional do Ambiente e do Mar e a Royal Society for the Protection of Birds (BirdLife no Reino Unido) revela que o principal problema é a existência de altos índices de predação de juvenis de aves marinhas protegidas por espécies introduzidas.


Os primeiros resultados indicam que durante a fase de incubação (que dura 60 dias), quase 90 por cento dos ovos consegue eclodir, mas logo a seguir assiste-se a uma elevada mortalidade da faixa jovem e indefesa. Esta consequência é causada sobretudo por predadores introduzidos, como ratos, gatos e murganhos que já causaram o desaparecimento de mais de 40 por cento das aves jovens nos ninhos monitorizados, quando ainda faltam dois meses para saírem do ninho.


A próxima acção do projecto será a instalação de uma área piloto de erradicação de espécies exóticas, vedada, onde se espera que as colónias de aves marinhas se instalem sem perturbação e sem problemas de predação. Esta poderá ser uma das maiores intervenções realizadas na Europa numa ilha habitada em favor destas espécies – que constituem o grupo de aves mais ameaçado de extinção no planeta.



Diminuição de colónias


Antes da colonização humana, as ilhas e ilhéus dos Açores eram ocupadas por milhões de aves marinhas que as escolhiam para fazer os ninhos todos os anos. No entanto, nos últimos 500 anos, as colónias diminuíram substancialmente como consequência da introdução de espécies predadoras e de plantas invasoras, que formam manchas densas, dificultando a nidificação. Actualmente, com excepção do Cagarro (ave marinha mais abundante nos Açores), as populações estão confinadas a pequenos ilhéus e a algumas falésias remotas e inacessíveis.


O projecto LIFE "Ilhas Santuário para Aves Marinhas" que vai decorrer durante os próximos quatro anos na Ilha do Corvo e no Ilhéu de Vila Franca do Campo tem como objectivos testar medidas de controlo e erradicação de espécies exóticas invasoras de animais e plantas, melhorar o habitat das aves marinhas e aumentar a médio/longo prazo o número e a área de distribuição das mesmas nos Açores, bem como promover os valores ambientais e incentivar o turismo ambiental no arquipélago.