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segunda-feira, 12 de abril de 2010

Secretário do Ambiente e do Mar diz que muita da “boa ciência” que se faz sobre mamíferos marinhos acontece nos Açores



O Secretário Regional do Ambiente e do Mar considerou hoje, na Horta, que muita da “boa ciência que se faz na área dos mamíferos marinhos”, a nível internacional, acontece nos Açores.

A ideia foi avançada por Álamo Meneses à margem da reunião anual do Grupo de Trabalho em Ecologia de Mamíferos Marinhos do Conselho Internacional de Exploração do Mar (ICES/CIEM), a cuja sessão de abertura presidiu esta manhã no Centro do Mar, que funciona na antiga Fábrica da Baleia de Porto Pim.

Para o governante açoriano, a Universidade dos Açores e o seu Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) têm feito um trabalho que “é pioneiro em muitas áreas do estudo dos mamíferos marinhos”, o que se reflecte “no impacto que tem a ciência feita nos Açores a nível internacional”.

A presença aqui de todos estes especialistas “tem muito a ver com isso” e com o facto de estarmos perante uma daquelas áreas em que os Açores “têm uma projecção que é marcante no panorama científico internacional”, acrescentou.

Álamo Meneses sublinhou ainda que, na questão dos mamíferos marinhos, os Açores têm uma “posição liderante”, quer do ponto de vista da variedade e frequência com que os cetáceos são avistados, quer também do ponto de vista científico.

Quanto à reunião que decorre até sexta-feira na Horta, com a presença de especialistas de 15 países, incluindo vários investigadores do DOP, o governante disse que o encontro tem “grande importância para a projecção dos Açores, sob o ponto de costa científico e tecnológico”.

Adiantou ainda que os Açores são hoje, no Atlântico, umas das principais área de observação de mamíferos marinhos e que esta reunião vai tratar, precisamente, de um tema que “é central para a nossa actividade económica” e que tem “grande potencial em termos do crescimento da área do turismo e da conservação da natureza em meio marinho”.

A interacção entre as actividades humanas em meio marinho, como a pesca e o whale watching, e a conservação de mamíferos marinhos é o tema central da reunião anual do Grupo de Trabalho em Ecologia de Mamíferos Marinhos do Conselho Internacional de Exploração do Mar.


GaCS/FG

sábado, 9 de janeiro de 2010

Discurso do presidente do Governo na inauguração das novas instalações do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores


Texto integral do discurso do presidente do Governo Regional dos Açores, Carlos César, proferido hoje, na Horta, na cerimónia de inauguração das novas instalações do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores:

“A obra que hoje inauguramos – as primeiras instalações especificamente construídas para o Departamento de Oceanografia e Pescas, e por extensão, para a Universidade dos Açores, na cidade da Horta – tem um significado múltiplo: é a resultante de um prestígio adquirido e reconhecido através do trabalho e competência evidenciados pelos profissionais envolvidos neste departamento, e é um momento fundamental no processo de consolidação da instituição universitária açoriana. Por consequência, é, também, um acontecimento que muito valoriza os Açores e o País e que reconfirma a ligação fecunda desta área do arquipélago ao conhecimento, à economia e aos assuntos do Mar.

Este edifício constitui, assim, na presença concreta das suas estruturas, um marco histórico para a nossa Universidade e o termo simbólico de reincidentes incertezas e sofredoras e injustificadas discussões que durante demasiado tempo rodearam a instituição e o seu futuro nesta ilha.

É um marco em betão e aço que, na firmeza dos seus materiais, alicerça igualmente a firmeza do compromisso assumido pelo Governo dos Açores na resolução definitiva dos problemas que rodearam a instalação dos campos universitários do Faial e da Terceira. Marca, da mesma forma, o resultado da cooperação produtiva que existe entre os governos dos Açores e da República, e em particular com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, cujo ministro – que hoje e uma vez mais nos honra com a sua presença – saúdo e congratulo.

Estas instalações, bem como o seu equipamento, num investimento global que ultrapassa os 6,2 milhões de euros, já foram financiadas directamente pelo Governo da Região em cerca de 5 milhões de euros, quer por fundos próprios, quer por fundos europeus que também nos estão afectos. A este vultuoso investimento juntam-se ainda fundos provenientes do Governo da República. Estamos, pois, em presença de um dos mais significativos projectos comuns concretizados no nosso arquipélago.

Com esta inauguração podemos, finalmente, passar a uma fase diferente: demonstrada a futilidade das discussões e estafantes lucubrações em torno da tripolaridade universitária nos Açores, interessa, agora, a meu ver, potenciar este investimento com um esforço de reforma institucional que permita a consolidação do DOP como entidade viva e perene, dotada da necessária autonomia e capacidade de gestão que lhe permita enfrentar os desafios do futuro com confiança. Agora, o grande desafio que se coloca à Universidade dos Açores, e ao DOP em particular, é aproveitar as enormes potencialidades que esta infra-estrutura proporciona.

Será um desafio que a capacidade humana aqui instalada saberá certamente vencer, tanto mais que ao longo das últimas três décadas, apesar das deficientes condições com que sempre conviveu, soube afirmar-se como um pólo de excelência no contexto universitário açoriano, nacional e até internacional.

A sua produção científica em matéria oceanográfica e de biologia marinha e pesqueira não tem oponente a nível nacional, tornando o DOP numa das mais conhecidas e respeitadas instituições científicas do País. Por seu intermédio e das suas publicações e trabalhos, a cidade da Horta e os Açores ganharam uma projecção externa que se traduz na presença regular de muitas centenas de investigadores estrangeiros, com destaque para os jovens bolseiros vindos de todo o Mundo e que aqui adquirem as competências que depois os impulsionam nas suas carreiras científicas.

Ligado a uma extensa rede mundial de instituições de investigação oceanográfica, o DOP sediou saberes, inscreveu-nos no mapa das instituições que melhor ciência produzem e criou uma verdadeira escola com ligações académicas que hoje se compartem a nível global. É através do DOP que a Horta atinge a sua maior projecção internacional, o que, ligado à excelência das infra-estruturas que aqui existem e à sua posição geográfica sobre a crista média do Atlântico, permitem antever o nascimento aqui de um pólo de excelência ligado às tecnologias do mar profundo, aliando os saberes e o prestígio já consolidado do DOP ao empreendedorismo dos seus docentes e bolseiros. Criar esse parque tecnológico ligado às ciências do mar é o grande e momentoso desafio que se coloca à instituição, mas é um desafio que, com a colaboração do Governo dos Açores, venceremos ao longo da década que agora começa.

Ilhas oceânicas por excelência, os Açores detêm responsabilidades inalienáveis sobre uma das mais extensas zonas económicas exclusivas da União Europeia, a qual tem no seu interior, ou na plataforma que lhe está anexa – e cuja atribuição da gestão se encontra agora para decisão perante as Nações Unidas –, algumas das zonas mais ricas em biodiversidade de todo o planeta. A União Europeia acaba de aceitar as Fontes Hidrotermais dos Açores como Sítio de Interesse Comunitário, o que convoca a necessidade da Região assumir responsabilidades de gestão de uma das áreas mais interessantes de todo o Atlântico – poderia dizer, até, de uma das maravilhas de Portugal e do Mundo.

Para além das fontes hidrotermais e das estruturas associadas à Crista Média do Atlântico, que literalmente atravessa as nossas águas, o mar dos Açores é repositório de uma assombrosa riqueza em recursos com potencial valor económico, científico e cultural, que vão desde os recursos haliêuticos aos recursos minerais, passando pelo rico património arqueológico submerso e pela diversidade dos genomas dos organismos que povoam o nosso mar.
O potencial de desenvolvimento que esses recursos representam precisa de ser rapidamente apropriado pelos açorianos, sob pena de outros o fazerem. É um grande desafio para a comunidade científica.

Não se trata apenas, como é mais frequentemente referido, da questão das pescas, área em que os Açores recentemente reafirmaram, em sede de revisão da política comum europeia, para além de outros aspectos de natureza estratégica, a defesa do princípio de reserva de acesso às 200 milhas para as frotas locais e a criação de um Conselho Consultivo Regional específico das Regiões Ultraperiféricas, com uma subdivisão específica para a Macaronésia. Trata-se, também, da defesa do princípio de que os recursos biológicos marítimos são um bem público que deve ser usufruído com protecção face a potências e actividades depredadoras. Os recursos biológicos, sejam eles pesqueiros ou não, são um património da humanidade que deve ser utilizado de forma responsável e sustentada, e não esquecendo o benefício dos povos que habitam as regiões oceânicas. No caso açoriano, até seria feita justiça, já que as particulares dificuldades da insularidade merecem ser amenizadas pelo aproveitamento dos nossos recursos endógenos.

Também nesse contexto tem sido chamada a nossa atenção para o património genético contido no genoma das espécies que habitam o oceano profundo, com destaque para as regiões hidrotermais, cujo aproveitamento exige conhecimentos avançados de biologia marinha, de genética e das ciências e tecnologias de exploração do mar profundo. É algo em que o DOP pode e tem de estar implicado, transformando-se no verdadeiro suporte do pólo científico-tecnológico que aqui queremos criar.

Mas não é só nas áreas dos recursos biológicos que queremos investir: o oceano é também um enorme potencial para as actividades de lazer, razão pela qual temos vindo a reivindicar junto das instituições comunitárias o apoio às iniciativas que permitam aos pescadores entrar no mercado marítimo-turístico e promover o aparecimento de uma fileira de valor que integre essas actividades com a observação de cetáceos, os desportos náuticos e as actividades de lazer ligadas à fruição do mar. Mais uma vez, estamos perante uma área em que a cidade da Horta e o Departamento de Oceanografia e Pescas já têm tradição e provas dadas: a Horta é hoje a capital açoriana dos desportos do mar e o DOP, com o apoio do Governo, já ministra com sucesso um curso destinado especificamente aos operadores marítimo-turísticos.

Nos últimos anos vão surgindo, embora ainda com carácter experimental, novas iniciativas destinadas a aproveitar a energia do oceano e os recursos minerais que os seus fundos e as suas águas encerram. São áreas novas da ciência e da tecnologia que não podem passar ao lado dos açorianos, do empreendedorismo dos seus jovens e das suas empresas e da sua principal instituição científica.

Mais importante, porém, que os desafios tecnológicos para o domínio das ciências e do conhecimento do mar, são os desafios que se incluem na emergência do privilégio e da excelência dos recursos humanos. Para isso não podemos continuar a depender de outros na formação e certificação dos nossos recursos humanos ligados ao mar. Esse processo, todavia, só ficará completo quando também for criada na Região capacidade formativa nessa área. A cidade da Horta, com a sua escola profissional já dotada de instalações de qualidade para as profissões técnico-profissionais, e o DOP, para as de nível superior, está excelentemente posicionada para assumir o papel de centro formativo nas profissões do mar. Fica o desafio à capacidade de iniciativa e ao saber daqueles que podem, no imediato, assumir esse papel, já que o apoio do Governo não tem faltado nem faltará.

Agora que em matéria de instalações estão reunidas as condições para que o DOP se consolide e cresça, chegou o momento da Universidade dos Açores assumir. de forma descomplexada. o lugar que também aqui no Faial e nas ciências do mar lhe cabe enquanto instituição de elite capaz de colaborar com o Governo dos Açores no desenvolvimento das nossas ilhas – neste caso, na tarefa difícil, mas irrecusável, de criar as condições materiais e, acima de tudo, humanas, para que os açorianos possam ocupar o seu mar, retirando dele o melhor proveito e cuidando para que cuidem dele.

Parabéns. Os meus parabéns à Universidade dos Açores e aos faialenses. O meu agradecimento ao Prof. Mariano Gago pelo apoio que deu a este projecto e pelo empenho que sei que coloca no futuro do DOP. Os meus parabéns aos docentes, investigadores, bolseiros e funcionários do Departamento de Oceanografia e Pescas pelo novo fôlego que este edifício traz.

A todos, obrigado.”


GaCS/CT

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Jardins de coral negro descobertos nos Açores



Um conjunto de «espectaculares jardins de coral preto» foi descoberto no fundo do oceano, ao largo das ilhas do Grupo Central dos Açores, durante uma missão científica promovida pela Estrutura de Missão para Extensão da Plataforma Continental (EMEPC), noticia a Lusa.


De acordo com o investigador, a descoberta só foi possível graças à utilização do ROV Luso (Veículo de Controlo Remoto), que «mergulhou» ao largo das ilhas Terceira, Graciosa e S. Jorge, a profundidades entre 400 e 1000 metros.


«Mais uma vez se confirmou a riqueza de habitats e a biodiversidade marinha do mar profundo dos Açores», frisou, esta quarta-feira, à Lusa Pedro Ribeiro, biólogo do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores.


O Rov Luso seguiu a bordo do navio oceanográfico Almirante Gago Coutinho e descobriu «espectaculares jardins de coral preto, do género Leiopathes», que se juntam aos já conhecidos jardins de coral do Condor, da Fossa do Hirondelle e do Menez Gwen.


Nesta missão científica foram também observadas várias espécies de crustáceos, como o «Gastroptychus formosus», que é frequentemente associada aos corais negros, além de extensas áreas dominadas por esponjas e bancos de ostras, onde se encontrou o crinóide «Cyathidium foresti», considerado um fóssil vivo.


O balanço da missão é positivo, mas foi «fortemente condicionado pelo estado do mar», que obrigou o navio Gago Coutinho a alterar o rumo previsto, tendo mesmo de abrigar-se entre as ilhas do Grupo Central.


Pedro Ribeiro diz que o estado do mar prejudicou também os trabalhos, uma vez que durante os seis dias de missão com o ROV Luso, apenas três foram «bem sucedidas».




quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Nova fonte hidrotermal descoberta nos mares dos Açores


Uma nova fonte hidrotermal foi descoberta ao largo dos Açores pela missão científica internacional que decorreu durante as últimas semanas na Cordilheira Médio Atlântica, a bordo do navio de investigação francês ‘Pourquoi Pas’, do Instituto IFREMER.

A nova fonte hidrotermal foi baptizada com o nome ‘Seapress’, em homenagem ao trabalho de divulgação dos montes submarinos realizado em todo o mundo, revelou a bióloga Cátia Silva, do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores, que também integrou a missão científica.

A descoberta decorreu a expedição internacional denominada ‘Bathyluck 2009’, realizada a bordo do navio oceanográfico francês junto ao complexo hidrotermal ‘Lucky Strike’, a cerca de 1.700 de profundidade.

Cátia Silva revelou que os cientistas estavam a “mapear o fundo do mar”, junto à grande fonte hidrotermal ‘Lucky Strike’, quando descobriram um novo monte submarino, que, até agora, era desconhecido da comunidade científica.

Segundo a investigadora, foram “retiradas amostras de temperatura no local e dos fluídos hidrotermais e recolhidas rochas, no sentido de saber se a fonte tem as mesmas características” que o restante complexo hidrotermal.

As amostras, que foram recolhidas pelo ROV ‘Viktor’, vão ser enviadas para laboratórios franceses, onde serão analisadas para procurar semelhanças e diferenças em relação às restantes fontes hidrotermais já identificadas.

Esta missão científica nos mares dos Açores, liderada pelo cientista Javier Escartin, contou com a presença de 22 cientistas portugueses, franceses e italianos.

A expedição, que decorreu a bordo de um navio do Instituto Francês de Investigação para a Exploração do Mar (IFREMER), está integrada no projecto internacional MOMAR (Monitoring of the Mid Atlantic Ridge), de monitorização dos vulcões e das falhas geológicas existentes na crista oceânica localizada a meio do Atlântico.

Esta missão esteve inicialmente prevista para o início de Junho, mas foi adiada depois do governo francês ter deslocado o navio ‘Pourquai Pas’ para o Brasil, para ajudar nas buscas das caixas negras do avião da Air France que se despenhou ao largo do arquipélago Fernando Noronha.



Fonte: Público

domingo, 20 de setembro de 2009

Cachalotes com grande fidelidade aos Açores


Esta espécie escolhe o arquipélago açoriano para a reunião familiar nos meses mais quentes do ano


Os cachalotes que visitam os Açores têm uma grande fidelidade ao arquipélago e integram uma organização social que anualmente escolhe esta zona do Atlântico para uma reunião familiar alargada durante a Primavera e Verão.


"É como se uma grande família alargada se reunisse anualmente nesta zona", afirmou Mónica Silva, do Departamento de Oceanografia e Pescas (DOP) da Universidade dos Açores, referindo uma das conclusões do estudo que será divulgado na próxima edição da revista científica Canadian Journal of Zoology. A investigação, liderada por Ana Pinela, incidiu sobre a genética populacional e a organização social do cachalote.


"Esta foi uma investigação inédita nos Açores, já que foi a primeira vez que se fez um trabalho com recurso a técnicas genéticas com este detalhe", salientou Mónica Silva à Agência Lusa. Foram descobertos novos aspectos da vida social dos cachalotes que visitam os Açores, uma área de acasalamento, reprodução e alimentação.


"Esta investigação demonstrou, por análise genética, que, durante o Verão, temos nos Açores vários grupos sociais que pertencem à mesma família", revelou Mónica Silva. As conclusões do estudo indicam que se reúnem nos Açores, "não só vários grupos aparentados, mas também várias famílias com ligações parentais entre si".


O estudo também revelou novidades ao nível do comportamento dos machos, apontando para um abandono do grupo mais tardio do que era conhecido.


"Este trabalho revelou que, nos Açores, os machos deixam o grupo apenas aos 16 ou 17 anos, o que é caso único no mundo", frisou Mónica Silva.


Fonte: DN