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terça-feira, 6 de outubro de 2009

Robô submarino português visita fontes hidrotermais ao largo dos Açores


Que história pode contar um calhau apanhado no fundo do mar, ao largo dos Açores? Pode contar uma história que ajude Portugal a fundamentar a sua proposta de extensão da plataforma continental, e é esse o objectivo principal de uma missão em curso ao largo dos Açores com o robô submarino português, o "Luso".
Portugal já entregou, em Maio, a sua proposta de extensão da plataforma no âmbito da Lei do Mar das Nações Unidas - um projecto destinado a alargar a jurisdição do país para lá das 200 milhas náuticas da Zona Económica Exclusiva (ZEE), mas apenas sobre o solo marinho e tudo o que lá se encontrar, desde minérios até petróleo.
Para tal, é preciso provar-se cientificamente que a crosta dos continentes, que entra mar adentro, se prolonga para lá da ZEE, pelo que é necessário saber onde o fundo do mar deixa de ter características continentais e passa a ter características de crosta oceânica. Ou, caso esteja a falar-se do fundo do mar em redor de um arquipélago, quando é que, para lá das 200 milhas, deixa de haver uma continuidade dos materiais geológicos entre a parte emersa e a parte submersa.
Na proposta apresentada na ONU seguiram os elementos para provar as pretensões de alargamento da plataforma de uma área que ultrapassa os dois milhões de quilómetros quadrados, o que equivale a mais de 23 vezes a área do continente. Mas, enquanto a proposta não for apreciada, é possível continuar a recolher-se e a entregar dados científicos.
Por isso, a Estrutura de Missão para a Extensão da Plataforma Continental (EMEPC), um grupo científico incumbido deste projecto, está a levar a cabo uma campanha a bordo do navio Almirante Gago Coutinho. Iniciada a 7 de Setembro, terminará a 26 de Outubro, e o PÚBLICO acompanhará parte da missão a partir desta semana.
A estrela é o Luso, um veículo operado remotamente (ROV) comprado por Portugal no ano passado. Ligado por um cabo ao navio, em cada mergulho oLuso descerá até ao fundo, onde recolherá rochas com o seus braços manipuladores. "Vamos consolidar o bordo sul e o sudoeste da proposta de extensão da plataforma", explica o geólogo Nuno Lourenço, um dos coordenadores da EMEPC.
Alargar o "território" do país
Neste caso, os cientistas estão interessados em que o ROV apanhe basaltos. Ora, estes basaltos podem ser crosta oceânica normal ou, por outro lado, ter a influência do arquipélago dos Açores. À vista desarmada, podem parecer todos iguais, mas a química e os minerais dos basaltos dos fundos marinhos não são iguais aos dos Açores, explica Raquel Costa, geóloga da EMEPC.
Se os basaltos que o ROV apanhar forem idênticos aos dos Açores, o país poderá reclamar essa zona como "território" português. Portanto, a tarefa doLuso nesta missão é ajudar a descobrir até onde, para lá da ZEE, em torno dos Açores, existe a influência do magma das ilhas nas rochas da crosta oceânica. A ideia é, no final, fazer-se um mapa com a posição exacta das rochas recolhidas.
A EMEPC quer também aproveitar os mergulhos do Luso para outros estudos, como a biologia, química e avaliação de recursos minerais e genéticos, tanto para investigação interna como em colaboração com universidades, diz Nuno Lourenço. Aqui, na mira dos cientistas estão as fontes hidrotermais em profundidade, emanações de água quente da crosta terrestre, com metano, enxofre ou metais como cobre ou ouro.
Para lá disto, o "Luso" permitirá ter um novo vislumbre do fundo marinho português e das formas de vida que lá andam, através de uma câmara digital de alta definição.


Fonte: Público

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Expedição científica internacional procura novas fontes hidrotermais no oceano profundo dos Açores


O navio de investigação francês "Pourquoi Pas" iniciou esta semana uma missão científica nos mares dos Açores, envolvendo 22 cientistas de Portugal, França e Itália, que vão procurar novas fontes hidrotermais de profundidade."

A exploração geofísica tentará encontrar novos campos hidrotermais, que já foram detectados a partir de anomalias na coluna de água mas que ainda não foram descobertos no fundo do mar", revelou a bióloga Ana Colaço, do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores, que integra a expedição.

O navio, que pertence ao Instituto Francês de Investigação para a Exploração do Mar ((IFREMER) e esteve recentemente envolvido nas buscas das caixas negras do avião da Air France que se despenhou no Atlântico, está equipado com instrumentos vocacionados para a investigação em mar profundo.

Esta missão científica, denominada "Bathyluck 09", vai prolongar-se até 30 de Setembro e integra um cruzeiro de estudo à fonte hidrotermal Lucky Strike, situada a 1700 metros de profundidade, na Dorsal Média Atlântica.

O navio francês vai deslocar para o local o robot ROV "Victor" e o veículo autónomo AUV "AsterX", para investigar a geologia, biologia e geofísica daquela área, estando também prevista a colocação de uma rede de instrumentos para monitorizar a actividade hidrotermal, sísmica e de deformação tectónica. "A instalação destes instrumentos será complementada com a amostragem de fluídos, rochas, animais e micróbios associados às fontes hidrotermais", acrescentou Ana Colaço.

A bióloga salientou que o "Victor" vai colocar na coluna de água sensores de temperatura, correntómetros e sensores de pressão, além de recolher módulos de colonização para micróbios e fauna nas diferentes estruturas e chaminés hidrotermais.

Por seu lado, o "AsterX" tem como missão mapear o fundo do mar, numa tentativa de revelar os processos de erupção vulcânica e de formação da crosta oceânica, assim como tentar mostrar a sua interacção com as zonas de deformação e com as falhas.

A missão, liderada pelo cientista Javier Escartin, está integrada no projecto internacional MOMAR (Monitoring of the Mid Atlantic Ridge), que pode ser acompanhado através do site http://www.momar.org/.


Para Ana Colaço, este projecto constitui um "passo chave" para a futura instalação de um observatório do fundo do mar no campo hidrotermal Lucky Strike, que integrará a rede europeia de observatórios submarinos que serão instalados no fundo do mar e que comunicarão com terra, em tempo real, através de uma boía com ligação via satélite.