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domingo, 25 de abril de 2010

Açores criam parque geológico único a nível mundial


Um inédito parque geológico a nível mundial, envolvendo meia centena de geosítios espalhados por nove ilhas, está a ser criado nos Açores, onde a imensa variedade geológica começa há milhões de anos e vem até à actualidade.

«Os Açores são muito ricos ao nível do património geológico, que é incrível e inclui desde património com milhões de anos até ao que está a ser formado neste momento», afirmou Frederico Cardigos, director regional do Ambiente, em declarações à Lusa.

Para preservar e valorizar este vasto património está a ser preparada uma candidatura às redes europeia e mundial de geoparques que assenta no conceito de geosítios.

«Os geoparques desenvolvem-se em torno de um único elemento, mas nós entendemos que não deveríamos privilegiar uma ilha e que o Geoparque dos Açores deveria ser homogéneo em todo o arquipélago, pelo que criamos o conceito de geosítio», salientou.

Com base em critérios puramente científicos, foram inicialmente identificados mais de uma centena de locais com interesse geológico, posteriormente reduzidos aos 57 que vão integrar a candidatura dos Açores.

«Nove Ilhas - Um Geoparque»

O futuro Geoparque dos Açores terá 10 geosítios em S. Miguel, oito no Pico, sete na Terceira, seis nas Flores e seis no Faial.

A candidatura incluirá ainda cinco geosítios em S. Jorge, cinco na Graciosa, cinco em Santa Maria e três no Corvo, além de duas áreas marinhas.

Com o tema «Nove Ilhas - Um Geoparque», os Açores pretendem proporcionar uma viagem pelo património geológico do arquipélago, que possui uma paisagem marcada por rochas, relevos e estruturas originadas por erupções vulcânicas.

O futuro Geoparque dos Açores vai, por isso, aproveitar a rica geodiversidade vulcânica do arquipélago, apresentando um conjunto de locais, como caldeiras, campos lávicos ou cordilheiras vulcânicas, que reportam a memória geológica do planeta.

O Governo açoriano espera que o geoparque estimule a actividade económica e desenvolvimento sustentável das populações, através da promoção de uma imagem de excelência que possa atrair visitantes e fomentar o turismo de natureza, em particular o geoturismo.


Fonte: IOL

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Novo sistema quer resposta rápida a reactivação vulcânica




O desenvolvimento de um sistema de resposta rápida em caso de reactivação de um sistema vulcânico é o objectivo de uma missão oceanográfica em curso nos Açores, no quadro do projecto Exupéry, financiado pelo governo alemão.


A missão, que se prolonga até 21 de Setembro, decorre a bordo do navio de pesquisa oceanográfica «Meteor» e envolve o Centro de Vulcanologia e Avaliação de Riscos Geológicos (CVARG) da Universidade dos Açores e várias instituições de investigação alemãs.


O projecto Exupéry, financiado pelo Ministério Federal de Educação e Investigação da Alemanha e pela Fundação Alemã para a Investigação, visa o desenvolvimento experimental e teste de um sistema de resposta rápida a situações que envolvam uma possível reactivação de um sistema vulcânico.


Nessa perspectiva, a missão em curso está a estudar a estrutura da crosta oceânica da ilha de S. Miguel, através da execução de perfis sísmicos.


Para o efeito, os cientistas recorrem à microssismicidade induzida através de disparos efectuados com canhões de ar, controlados a bordo do navio.



A recolha dos dados sísmicos é realizada através de sismómetros existentes no fundo do oceano em volta de S. Miguel e de uma rede sismológica instalada na ilha.


Em simultâneo com esta missão oceanográfica, estão também a decorrer trabalhos de campo nas principais estruturas sismovulcânicas de S. Miguel.


Por outro lado, está também a ser realizado um levantamento batimétrico detalhado dos fundos oceânicos em volta desta ilha açoriana, estando previsto que o navio efectue depois idêntico levantamento na zona da Falha Glória, a nordeste da ilha de Santa Maria.






quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Expedição científica internacional procura novas fontes hidrotermais no oceano profundo dos Açores


O navio de investigação francês "Pourquoi Pas" iniciou esta semana uma missão científica nos mares dos Açores, envolvendo 22 cientistas de Portugal, França e Itália, que vão procurar novas fontes hidrotermais de profundidade."

A exploração geofísica tentará encontrar novos campos hidrotermais, que já foram detectados a partir de anomalias na coluna de água mas que ainda não foram descobertos no fundo do mar", revelou a bióloga Ana Colaço, do Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores, que integra a expedição.

O navio, que pertence ao Instituto Francês de Investigação para a Exploração do Mar ((IFREMER) e esteve recentemente envolvido nas buscas das caixas negras do avião da Air France que se despenhou no Atlântico, está equipado com instrumentos vocacionados para a investigação em mar profundo.

Esta missão científica, denominada "Bathyluck 09", vai prolongar-se até 30 de Setembro e integra um cruzeiro de estudo à fonte hidrotermal Lucky Strike, situada a 1700 metros de profundidade, na Dorsal Média Atlântica.

O navio francês vai deslocar para o local o robot ROV "Victor" e o veículo autónomo AUV "AsterX", para investigar a geologia, biologia e geofísica daquela área, estando também prevista a colocação de uma rede de instrumentos para monitorizar a actividade hidrotermal, sísmica e de deformação tectónica. "A instalação destes instrumentos será complementada com a amostragem de fluídos, rochas, animais e micróbios associados às fontes hidrotermais", acrescentou Ana Colaço.

A bióloga salientou que o "Victor" vai colocar na coluna de água sensores de temperatura, correntómetros e sensores de pressão, além de recolher módulos de colonização para micróbios e fauna nas diferentes estruturas e chaminés hidrotermais.

Por seu lado, o "AsterX" tem como missão mapear o fundo do mar, numa tentativa de revelar os processos de erupção vulcânica e de formação da crosta oceânica, assim como tentar mostrar a sua interacção com as zonas de deformação e com as falhas.

A missão, liderada pelo cientista Javier Escartin, está integrada no projecto internacional MOMAR (Monitoring of the Mid Atlantic Ridge), que pode ser acompanhado através do site http://www.momar.org/.


Para Ana Colaço, este projecto constitui um "passo chave" para a futura instalação de um observatório do fundo do mar no campo hidrotermal Lucky Strike, que integrará a rede europeia de observatórios submarinos que serão instalados no fundo do mar e que comunicarão com terra, em tempo real, através de uma boía com ligação via satélite.