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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Carlos César diz estar em preparação uma alternativa à figura de provedor sectorial regional



O presidente do Governo dos Açores reafirmou hoje a sua discordância com a declaração de inconstitucionalidade da norma do Estatuto Político dos Açores que previa a criação de provedores sectoriais regionais, mas sublinhou que há outras formas de preencher as funções pretendidas.

Carlos César, que recebeu, em audiência para apresentação de cumprimentos, o novo provedor de Justiça, juiz-conselheiro Alfredo José de Sousa, lembrou que essa questão representou, aliás, um dos das poucos momentos em que a relação entre o Governo Regional e a Provedoria de Justiça “não foi excelente”, dado que, como se sabe, foi o anterior Provedor quem suscitou a apreciação da constitucionalidade da criação de provedores regionais.

De qualquer modo, prosseguiu, “as funções de provedoria, no sentido adjectivo da expressão, são perfeitamente resolvidas, quer pela extensão da Provedoria de Justiça, quer pelos próprios organismos da administração regional.

“O direito de reclamar, nas diversas formas que estão acessíveis aos utentes, em todos os serviços, é uma forma da administração regional prover as reclamações ou as necessidades dos cidadãos”, afirmou, acrescentando estar em preparação a criação de outros organismos “para fazer essa interlocução alternativa.”

Para o presidente do Governo, o que importa é salvaguardar aquilo que é fundamental: “que o cidadão tenha o maior número de instâncias possível e que elas sejam eficazes em reclamar e em fazer exercer e ressarcir os seus direitos.”

Carlos César disse ainda, a propósito da recente eleição de Alfredo José de Sousa, que se tratou de “uma escolha que prestigiou o nosso parlamento e que, sem dúvida, prestigiará o exercício da função tão importante de Provedor de Justiça no nosso país.”


Fonte: GaCS

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Vinho "artesanal" é o melhor branco regional dos Açores


O Barrocas do Mar, considerado o melhor vinho branco regional dos Açores, é produzido numa pequena vinha em São Miguel, de uma forma “quase artesanal”, por um antigo comandante de aviões que se rendeu ao prazer da vitivinicultura.

“Isto é quase um passatempo”, afirmou Hermano Ferreira, ex-comandante da transportadora aérea açoriana SATA, em declarações à Agência Lusa, admitindo nunca ter pensado em vir a produzir um vinho premiado.

Apesar disso, no primeiro concurso realizado pela Comissão Vitivinícola Regional dos Açores para vinhos certificados, o Barrocas do Mar 2008 venceu a Medalha de Ouro, tendo sido pontuado pelo júri com 92 pontos em 100.

O vinho premiado é cultivado num terreno com cerca de 1.500 metros quadrados, na Ribeira das Tainhas, na costa sul de São Miguel, onde estão plantadas 460 vides das castas Fernão Pires e Verdelho. “Sou um pequeno produtor”, salientou Hermano Ferreira, admitindo que, mesmo que quisesse aumentar a área de produção, o elevado preço dos terrenos circundantes torna esse objectivo impossível de concretizar.

Depois de ter comprado a pequena propriedade, com vista para o oceano Atlântico, Herma-no Ferreira arrancou a vinha an-tiga e plantou “tudo de novo”, entre 2002 e 2003. “A vinha começou a produzir há três anos, e ganhei o prémio logo ao segundo ano de produção, num concurso em que participaram quase todos os produtores da região”, recordou.

Hermano Ferreira salienta que a sua produção é “quase artesanal”, e faz questão de informar que faz “quase tudo sozinho”, tendo ajuda “apenas nas vindimas” e, mesmo nessa altura, quase toda familiar.

Depois de colhidas, as uvas são “escolhidas uma a uma”, e o vinho é feito de “bica aberta”, sendo fermentado apenas o sumo das uvas prensadas.

A vinificação prolonga-se por 12 dias, graças ao controlo da temperatura, e depois o vinho passa seis meses a estagiar nas cubas, sendo feitas neste período duas ou três trasfegas para limpar o depósito acumulado.

No final, depois de filtrado, o vinho vai para as garrafas, sendo esta a única parte da produção que está mecanizada, com uma máquina que permite encher quatro garrafas em simultâneo e outra que coloca os rótulos.

Em 2007, no primeiro ano de produção, Hermano Ferreira certificou 600 litros de vinho. No ano seguinte, o ano premiado, subiu para 700 litros. Na próxima vindima espera atingir 1.000 litros de vinho regional certificado.

A reduzida produção faz com que o Barrocas do Mar 2008 apenas esteja disponível em cinco restaurantes de São Miguel, a um preço que ronda os 15 euros por garrafa.

Estabilizada a produção deste vinho branco regional dos Açores, Hermano Ferreira pretende agora lançar-se na produção de vinho tinto, tendo escolhido uma das melhores regiões do país para o fazer. “Comprei uma propriedade no Alentejo para produzir tinto, vamos ver o que dá”, revelou o produtor.



Fonte: MundoPortuguês