
O subsecretário regional das Pescas afirmou hoje, em Ponta Delgada, que o mar, ainda com muito por explorar, constitui um pilar fundamental para a viabilidade económica futura dos Açores.
Na apresentação dos trabalhos que antecedem a entrega do Prémio Anual Universitário LOTAÇOR, a um dos sete grupos de jovens universitários concorrentes, Marcelo Pamplona sublinhou que a Zona Económica Exclusiva dos Açores é maior, em mais de 400 vezes, do que a dimensão do território terrestre continental português.
Frisou, também, que o mar, como auto-estrada de ligação entre as ilhas, é de extrema importância para a sustentabilidade social e económica de muitas famílias açorianas, representando uma enorme fatia no âmbito da economia local.
Referiu que a pesca descarregada em lota, nos Açores, apresenta valores que ascendem entre 35 e 40 milhões de euros anuais e que o produto conserveiro exportado, de elevada qualidade, totaliza cerca de 45 a 50 milhões de euros.
Sobre esta matéria, o governante acrescentou que a Região Autónoma exporta anualmente cerca de três mil e quinhentas toneladas de pescado fresco para importantes nichos de mercado europeus, e que traduzem um rendimento global de cerca de 125 milhões de euros.
O subsecretário regional das Pescas declarou que, no arquipélago, existem cerca de 1.500 embarcações de recreio, devidamente licenciadas, e revelou que cerca de um total de nove mil pessoas utilizam o mar como actividade profissional ou lúdica.
Marcelo Pamplona asseverou que os Açores beneficiam de uma autonomia alimentar, proveniente dos seus recursos marinhos, com proteínas animais de excelente qualidade que escasseiam em muitas regiões do mundo.
Trata-se, na opinião deste responsável político, de um importante bem estratégico, no âmbito da Política Comum de Pescas da União Europeia, e que os Açores querem preservar e defender para garantia da viabilidade futura do sector nas ilhas.
Salientou, igualmente, a importância dos recursos inertes e genéticos existentes no mar dos Açores que consubstanciam valores estratégicos a aprofundar.
Marcelo Pamplona disse, ainda, que é fundamental que a sociedade civil açoriana se vire mais para o mar como forma de potenciar o desenvolvimento local.
A entrega do Prémio Anual Universitário LOTAÇOR, o primeiro a nível nacional dedicado ao tema “O Mar e as Pescas” vai ser entregue hoje à tarde.
A este prémio, que incentiva uma ligação mais estreita entre o meio académico e o tecido empresarial, concorrem sete trabalhos relacionados com a “Interacção de delfinídeos com a pesca da lula”, “Produção de gelo suplementado com extractos de algas com capacidade antioxidante e antimicrobiana”, “Bases para a elaboração de um Plano Estratégico para o Sector das Pescas nos Açores” e “Como gerir o esforço de pesca do Goraz em função das condições climatéricas?”.
Os restantes trabalhos concorrentes, produzidos igualmente por grupos de jovens universitários, abordam os temas “Aquacultura integrada de Laminaria Ochroleuca e mexilhão adaptada ao mar dos Açores”, “Pesca nos Açores” e “Avaliação, exploração e medidas de conservação do stock de polvo na costa portuguesa”.
GaCS/CM
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