
O extraordinário valor ambiental do arquipélago dos Açores manifesta-se nos locais mais inauditos. Apesar de não ser original a nidificação de garajaus na Lagoa das Furnas, tendo uma recorrência de cerca de dois a três anos, esse facto acontecer junto de uma área acessível a transeuntes é indicador de um crescente à vontade por parte dessa espécie.
O casal de garajaus que está a nidificar na Lagoa das Furnas foi descoberto por técnicos da Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA) e pertence à espécie Sterna hirundo (garajau-comum). Depois do alerta, técnicos da Secretaria Regional do Ambiente e do Mar com o apoio de uma empresa privada que desenvolve trabalhos no local, colocaram de imediato uma vedação para que não haja perturbação da privacidade destes exemplares protegidos por diversa legislação internacional, incluindo a Directiva europeia "Aves".
A proporção da população desta espécie que escolhe o arquipélago dos Açores para nidificação é elevada quando comparada com o todo mundial. Por essa razão, tal como acontece com outras aves marinhas, é permanentemente acompanhada pelo Departamento de Oceanografia e Pescas da Universidade dos Açores através do projecto "Moniaves", financiado pelo Governo Regional.
Outro sinal do benefício da ornitologia nos Açores vem da Ilha do Corvo. Esta ilha tem grande parte da sua capacidade hoteleira de Inverno ocupada por especialistas que, na Europa, tentam registar raridades norte-americanas. As aves de arribação são alvo de benévolas competições internacionais cujo cenário é a mais pequena ilha do arquipálego.
Graças ao excelente trabalho da SPEA em colaboração com o Governo e Autarquias, efectuado nos Concelhos do Nordeste e Povoação, na zona Oriental da Ilha de São Miguel, os Açores foram protagonistas de um dos factos mais assinalados em pleno Ano Internacional da Biodiversidade: a perda do estatuto de "criticamente ameaçado de extinção" por parte do priolo. Por esta razão, o projecto "LIFE Priolo" foi galardoado com o título "Best of the Best" no início desta semana em Bruxelas.
Na véspera do Dia Mundial do Ambiente, que se celebra a 5 de Junho, estas são mais indicações da elevada qualidade ambiental do nosso arquipélago e de como, progressivamente, a fronteira homem / natureza se vai esbatendo entrando numa fase de sã convivência e mútuo benefício.
GaCS/SF/DRA
Sem comentários:
Enviar um comentário