domingo, 6 de maio de 2012

Carlos César: “Não se poupa na condição humana”


O Presidente do Governo dos Açores criticou este domingo, na Calheta, ilha de São Jorge, aqueles que defendem diminuições no apoio social às camadas mais vulneráveis da sociedade açoriana.

“Não há poupança útil de que resulte a diminuição da condição humana – não se poupa na condição humana”, sublinhou Carlos César, falando na cerimónia de inauguração do novo lar de idosos e centro de dia da Santa Casa da Misericórdia daquele concelho jorgense.

Sustentando esta ideia, o chefe do executivo manifestou a sua convicção de que “é preciso continuar a trabalhar bem para que o progresso que estamos a ter, as condições de vida que estamos a proporcionar aos nossos idosos, às pessoas com deficiência, às crianças, aos jovens, seja um progresso sustentado, com qualidade e amado por estas gerações e pelas futuras”.

Manifestando a sua alegria por estar a inaugurar este equipamento, um investimento de 3,8 milhões de euros, com capacidade para 42 utentes, que vem responder a uma antiga aspiração da instituição e da população, Carlos César acrescentou que essa alegria se transformaria em “muita tristeza, muita revolta, se alguém, para poupar, fechasse o que inauguramos”.

O Presidente do Governo sublinhou que “é preciso gerir bem”, como vem acontecendo, poupando onde há que poupar, mas “não se poupa na defesa das pessoas e, particularmente, no apoio aos que mais precisam”.

Lembrando que decorre o Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e de Solidariedade entre Gerações, Carlos César disse que essa iniciativa serve, justamente, para “procurar que as políticas sociais dirigidas às pessoas com mais idade proporcionem as condições adequadas para que elas vivam o seu tempo com bem-estar”.

Para o Presidente do Governo esse é “o grande esforço que devemos fazer” e está a ser feito nos Açores, que “está na linha da frente nesse esforço”. Contudo, reconheceu, ainda há “muitas carências” que preocupam as instituições públicas e particulares, mas, também, “um número cada vez maior de cidadãos, e começa a ser de novo uma consciência muito apurada das nossas famílias”.

Apesar dessa consciência, o ritmo de vida atual causa dificuldades no apoio próximo das famílias aos seus idosos (e crianças), “particularmente quando o aumento médio da esperança de vida gera a coexistência no meio familiar de pessoas com mais idade e com mais necessidades de apoio”, disse ainda Carlos César, acrescentando que é para dar resposta a essas necessidades que é preciso “termos os serviços que estamos a criar”.

Esses serviços, enumerou, são o apoio domiciliário, a prestação de cuidados médicos, a assistência em geral ao idoso junto do seu agregado familiar, os centros de dia e de noite, os lares de idosos, os sistemas de cuidados continuados, entre outros.
“Nós temos já nas nossas ilhas 217 serviços de apoio aos idosos, abrangendo diretamente, diariamente, mais de oito mil utentes”, referiu o chefe do Governo, reconhecendo, no entanto, que esse número “não é ainda suficiente”.

Por isso, adiantou, “estamos a trabalhar na criação de outros equipamentos e estão a decorrer, ou vão ser lançadas, obras como a do lar de idosos de São Brás (ilha Terceira), a recuperação e ampliação do lar D. Pedro V, na Praia da Vitória, a ampliação do lar de idosos da Santa Casa da Misericórdia de Santa Cruz da Graciosa e o lar de idosos e centro de dia de Rabo de Peixe, em São Miguel, e vai ser aberto concurso público para a construção do lar do Pico da Pedra”, também naquela ilha.

A terminar, Carlos César voltou a manifestar a sua satisfação por “podermos realizar todas estas melhorias nas nossas ilhas, que os nossos idosos bem merecem, e os Açores precisam que o Governo continue neste caminho de respeito pelas suas obrigações sociais”.

Anexos:
2012.05.06-PGR-InauguraçãoLarIdososCalheta.mp3

GaCS

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