“Infelizmente, por regra agravada pelas políticas atuais de corte na despesa por parte do Governo da República, são muitas as necessidades que se acumulam e que não são satisfeitas e muitos os serviços da administração central que estão nos Açores sem os meios e sem os apoios mínimos necessários”, começou por dizer.
Face a essa situação, “somos nós, Governo Regional, que temos pouco dinheiro para fazer o que nos compete, que nos sentimos obrigados, em defesa dos nossos concidadãos e de serviços dos quais não podemos prescindir, a pagar ou a desempenhar o papel que o Governo da República devia desempenhar”, acentuou o Presidente do Governo Regional.
Recordando que foram retiradas receitas que são da região, “como, ainda há alguns meses atrás, as receitas de 5% do IRS – que foram entregues às autarquias do nosso orçamento e não do orçamento do Governo da República como deveria ter sido” –, Carlos César sublinhou que, “pelo contrário, deixam-nos encargos que não respeitam, que não cumprem e que, a nós, não nos compete suportar.”
Como enumerou, exemplos não faltam, como “é o caso, que ia ocorrendo, da formação dos agentes da PSP, sobre o qual, felizmente, a tutela acabou por recuar; é o caso da RTP-Açores e da Antena-1 nos Açores, para as quais dispensamos vultuosos apoios para subsistirem, ainda que mal, mas precisam ainda de mais; é o caso das repartições de finanças na nossa região, em que temos de pagar alguns dos seus funcionários; é o caso da fibra ótica e das redes de nova geração, de cujo financiamento o Governo da República fugiu e lá teremos de ser nós, também, a resolver; é o caso da diminuição das passagens aéreas, por alteração das obrigações de serviço público, que o Governo da República está sempre a adiar – embora me digam que resolverá isso nos próximos dias; é o caso da Universidade dos Açores, para a qual o Governo Regional já dispensa muitas verbas, mas que, por estar numa situação de pré-penúria, nós teremos, provavelmente, de a apoiar ainda mais.”
Para Carlos César “são casos e mais casos em que, cada vez mais, essas disfunções acontecem” – obrigando o governo açoriano a acorrer às necessidades, ajudando com os recursos que tem poupado –, mas, como fez questão de frisar, “há um limite para tudo.”
E há, igualmente, com também acentuou, “um princípio estranho: não deveria ser o Governo Regional a apoiar o Governo da República – todos esperavam que fosse o Governo da República a apoiar o Governo Regional.”
Reiterando a intenção de o seu governo fazer isso, enquanto puder, em defesa dos Açores e dos direitos e garantias dos açorianos, Carlos César repetiu que há, todavia, um limite.
“Há um limite para os nossos recursos financeiros, como há também um limite para a ética subjacente às funções do Estado na região. E as funções do Estado na região devem ser defendidas. E a primeira linha dessa responsabilidade é justamente do Governo da República”, afirmou.
O Presidente do Governo Regional falava no decurso da cerimónia de assinatura de protocolos de cooperação entre o Fundo Regional de Transportes Terrestres e a Polícia de Segurança Pública e a Guarda Nacional Republicana, através dos quais aquelas duas forças de segurança passarão a usufruir do produto das coimas que aplicarem na região.
De acordo com valores de anos anteriores, a receita prevista é da ordem do meio milhão de euros, permitindo à PSP e á GNR mais disponibilidade para investirem na melhoria das suas condições operacionais.
Carlos César não deixou, na ocasião, de enaltecer a ação desenvolvida pelas forças de segurança na região e as parcerias que, com elas, ao Governo Regional tem sido possível estabelecer, contribuindo para a tranquilidade e a segurança nas ilhas.
| 2012.05.15-PGR-AssinaturaProtocolosPSPeGNR.mp3 |
GaCS
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