
O Presidente do Governo dos Açores disse hoje que o resultado das eleições do passado domingo demonstrou “uma clara avaliação negativa, dos portugueses em geral e dos açorianos em particular, da acção do PS no Governo da República”.
No entanto, fez notar ser incorrecto associar tal resultado a futuros actos eleitorais, designadamente regionais, já que foram o PSD, o PP e o PCP a vincarem, eles próprios, no decorrer da campanha eleitoral, que “esta eleição era só para lá, esta eleição não era para cá.”
As razões dessa atitude daqueles partidos só têm, para Carlos César, uma explicação: é que “se fosse para cá, o resultado não era o mesmo”.
Recordada essa diferença, como ele próprio disse, o Presidente do Governo afirmou que “temos, na nossa frente, desafios que são muito difíceis. Já os tínhamos, qualquer que fosse o resultado eleitoral.”
Carlos César, falando no decurso da sessão desta manhã da Assembleia Legislativa regional, manifestou-se convicto de que, “agora, o que é importante é concentrar-nos naquilo que parece indiscutivelmente premente e consensual no nosso país.”
Em particular, destacou a necessidade de “sermos capazes de consensualizar uma estratégia e um conjunto de medidas que assegurem a sustentabilidade económica e financeira do país e reabilitem as empresas viáveis.”
Para o governante, é também importante que essas medidas sejam “sábias, no sentido de preservar a paz e a coesão social”, salvaguardando valores essenciais dessa coesão e garantindo-se, desde logo, a sustentabilidade e o carácter tendencialmente gratuito do sistema nacional de saúde.
“É importante ainda que haja consenso entre os vários partidos políticos para que se aprofunde e se vá à frente numa reforma do Estado que facilite a vida aos portugueses, que crie eficiências na nossa economia e nos sistemas institucionais que são fundamentais para a dinamização social e económica”, frisou.
A manutenção de um sistema de protecção activo – sabendo-se que algumas desigualdades se acentuarão por aplicação de algumas medidas previstas no memorando da “troika” – requer, também, na opinião de Carlos César, um consenso entre as várias forças políticas, sobretudo tendo em conta o tempo de dificuldades que se vive.
Por maioria de razão, regiões mais deprimidas ou com as características dos Açores – insulares e ultraperiféricas – devem merecer especial atenção, “olhando este país diferente como um país inteiro.”
A manutenção da Lei de Finanças das Regiões Autónomas, o regime de indemnizações compensatórias para a prestação de serviços públicos na região e a discriminação positiva em sectores como a agricultura, a pescas, a energia e o ambiente foram alguns dos exemplos que o Presidente do Governo avançou para alvos dessa especial atenção.
Por outro lado, disse ser importante que, no detalhe e na execução das medidas que constam no memorando da “troika”, a região ser um parceiro, uma parte activa, ouvida e contribuinte para a sua melhor execução.
“Com humildade, o que vamos continuar a fazer é seguir o rumo que temos seguido nos Açores: defender os Açores nos Açores e defender os Açores na República. E isso, nós, Governo Regional do PS, tanto fazemos com um Presidente da República da direita, como com um Presidente da República da esquerda, e tanto fazemos com um Governo da República do PS, como o faremos com um Governo da República do PSD”, disse.
GaCS/CT
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