sexta-feira, 3 de junho de 2011

André Bradford considera a solidariedade como fundamento da União Europeia



O Secretário Regional da Presidência, felicitando a realização da Conferência das Regiões Periféricas e Marítimas da Europa e pela iniciativa de debater a “Solidariedade Europeia”, disse hoje, na mesa redonda que se realizou no âmbito da Conferência, subordinada ao tema “Solidariedade Europeia: passando da teoria à prática a nível regional”que este é um tema “essencial para a definição do presente e do futuro da Europa – a solidariedade enquanto fundamento da unidade europeia”, sublinhando a importância de que, ao fazê-lo nos Açores, “a mais de 3000 quilómetros de Bruxelas, onde viver é um “statement”, uma afirmação, uma manifestação de vontade e não apenas uma fatalidade, ainda que a Geografia ocupe mais de metade da nossa alma”, é motivo de satisfação.

“Ser-se europeu, no meio do Atlântico, tem um significado muito específico” e por isso, André Bradford, declara que “a solidariedade que decorre desse sentimento de pertença, tem necessariamente uma ressonância mais profunda” e, no contexto da crise económica e financeira em que vivemos, lembra: “A solidariedade é um tema que tem estado, em nosso entender, demasiado arredado nos últimos tempos da consciência e da prática política de muitos dos dirigentes europeus”.

Para o governante, “numa época de crise” que, para além de ser “económica e financeira” também é “social e política” e “quando surgem tentações de populismo e de egoísmos nacionais – que se reflectem a nível da União Europeia”, importa, conforme sustentou, “reafirmar a importância dos valores da igualdade, da tolerância e da solidariedade europeia”, o que significa “pugnar pela defesa do próprio projecto comunitário, na sua essência e na pureza dos seus desígnios originais”.

“A solidariedade europeia não é um valor oco, apenas para as horas boas. Deve constituir-se sobretudo como prática nas horas mais difíceis e desafiantes”, acrescentou.

André Bradford, lembrando os pioneiros do projecto Europeu, recordou que a “solidariedade era, para eles, um valor, mas também um instrumento, um veículo e uma garantia de paz, estabilidade, progresso e de união”, advertindo, neste contexto, que, “quem só quiser ver neste projecto a sua componente romântica, em nome de um suposto pragmatismo de resultados, está a prestar um mau serviço à ideia de Europa e à causa europeísta”.

As Regiões têm um papel fulcral no desenvolvimento do projecto europeu, sobretudo em tempo de crise, porque, conforme disse o Secretário Regional, “estão mais próximas dos cidadãos, aferindo, deste modo, as suas necessidades económicas e sociais”, mas também, sublinha, “porque são responsáveis, em grande medida, pela dinamização económica, criando condições de atractividade para o investimento privado e de estabilidade para o desenvolvimento, bem como para a consolidação do emprego”.
Para André Bradford, a “promoção da coesão económica, social e territorial europeia faz-se com base nas unidades regionais, exactamente porque se lhes reconhece esse papel de dínamos do progresso geral europeu”.

Para as regiões, no contexto europeu, na opinião do responsável, “permanecem desafios importantes por superar, sempre e intimamente ligados aos nossos condicionalismos ultraperiféricos” que, considera, “são ainda actualmente intensificados pelas condicionantes do clima económico e financeiro internacional actual e da realidade específica do país”.

Face à situação de Portugal, “confrontado com um pedido de ajuda externo à União Europeia e FMI”, André Bradford defendeu que, “não obstante um maior alinhamento com os objectivos e metas da nova Estratégia Europa 2020, a Política de Coesão deve manter-se como pilar identitário fundamental da integração europeia, preservando, sem ambiguidades, a sua autonomia de acção e o seu objectivo global de concorrer decisivamente para a redução das disparidades regionais, com especial atenção para os territórios mais desfavorecidos, as suas características e necessidades”.

Considerando a importância das regiões e a sua união em torno da defesa de uma verdadeira solidariedade europeia, enquanto “unidades essenciais do processo de construção deste espaço de ideias, valores e progresso”, André Bradford, adianta que o contributo das Regiões para o crescimento comum do espaço comunitário “não é nem deve ser passivo, enquanto meros executantes da legislação comunitária – que em vários casos ainda é aprovada contrariamente às realidades locais e regionais”.

“Não devemos deixar que a pressão economicista e financeira conduzida do exterior sob os nossos territórios se sobreponha às necessidades reais das nossas populações”, concluiu o Secretário Regional da Presidência.



GaCS/LFC

Sem comentários: