“A juventude açoriana deve estar na linha da frente desse esforço. É, aliás, muito importante ter uma nova geração de açorianos ao serviço dos Açores e, por isso, trazer às lideranças, inclusive ao nível político, gente nova”, disse.
O Presidente do Governo dos Açores, que falava perante alunos da Escola Básica e Secundária de Vila Franca do Campo e jovens representantes de escolas de todas as ilhas, presidia às comemorações dos Dia da Europa, acentuando que enaltecer este dia deve servir, sobretudo, para “lembrar a atualidade do projeto europeu e preparar um futuro que já hoje não deve prescindir da juventude açoriana.”
Enfatizando o papel dos Açores na União Europeia, considerou ser “importante que os nossos jovens compreendam o valor e a importância do exercício de uma cidadania ativa, para que a autonomia dos Açores e a nossa participação, como região ultraperiférica, na União Europeia, constitua uma parceria estratégica de alto valor.”
Para Carlos César, é relevante, por isso, fomentar o conhecimento dos jovens sobre a União, pelo que, entre outras iniciativas, o Governo Regional decidiu instituir e atribuir uma bolsa anual para a frequência de um curso de mestrado no Colégio da Europa.
Como frisou, trata-se do primeiro e mais importante instituto de estudos de pós-graduação especializado em assuntos europeus, que abrange as áreas das Relações Internacionais e Diplomacia da União Europeia, do Direito, da Economia e das Ciências Políticas e de Administração.
Mas, aos jovens que o ouviam o Presidente do Governo não deixou também de – historiando a criação da União Europeia e o seu já longo percurso de mais de sessenta anos – realçar que na génese da sua constituição estiveram propósitos de consolidar a solidariedade e a igualdade entre os estados, bem como a liberdade e a democracia.
“Não podemos condescender, por isso, com a imposição de hegemonias e lideranças na Europa, geradas à margem dos seus cidadãos, que coloquem em causa a dimensão social do projeto europeu, que tentem reerguer fronteiras internas, ou que procurem encontrar em alguns estados ou grupos de cidadãos a razão dos problemas que a Europa consentiu e gerou e que deve resolver no seu todo”, disse.
Na sua opinião, “só uma Europa socialmente mais forte e economicamente mais coesa, politicamente inconformada e mais esclarecida, poderá dar uma resposta mais eficaz aos desafios de desigualdade e de desemprego com que nos confrontamos na União Europeia.”
Carlos César disse também pensar que os resultados das eleições recentes em França e na Grécia, embora bem diferentes, “podem estimular muito uma reflexão com melhores resultados para a sustentabilidade do ideal e da governação europeia”, sendo, assim, urgente “renovar o encontro com o espírito fundador da Europa e de nele colhermos a inspiração e a ambição que estão enfraquecidas perante os egoísmos e os especuladores dentro e fora do espaço europeu.”
Manifestando-se esperançado no que chamou de “reabilitação anímica e política” que conduza à recuperação económica, confessou o seu agrado por estar a evocar o Dia da Europa numa escola construída com recurso a fundos comunitários e valorizou o contributo da União para o processo de convergência dos Açores com os indicadores económicos nacionais e europeus.
“Graças ao bom aproveitamento dessa solidariedade, os Açores ultrapassaram, pela primeira vez, de acordo com os últimos dados disponibilizados pelo EUROSTAT, os 75% do Produto Interno Bruto per capita da União Europeia, deixando de integrar o grupo das chamadas regiões menos desenvolvidas”, disse.
Carlos César, recordando que o próprio presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, elogiou os Açores pela sua coordenação com as instâncias decisórias europeias e pela boa utilização dos fundos comunitários, fez notar que esse trajeto colocou a região “a par da média nacional quando há pouco mais de uma década éramos a região menos desenvolvida de todo o país.”
Para o governante, fica demonstrado que, apesar de todos os constrangimentos, “é possível conciliar uma gestão criteriosa e responsável dos fundos europeus e finanças regionais com soluções de melhoria de indicadores sociais e de sustentação da economia.”
Pena foi, e é – acrescentou Carlos César – “que estejamos a sofrer nos Açores as consequências de uma crise financeira e económica europeia agravada pela crise nacional, que nos retira financiamentos, nos faz chegar austeridades e nos prejudica no rendimento das famílias e nos negócios e capitalização das empresas.”
Por isso defende que no futuro quadro europeu de apoio para 2014/2020, os estados-membros, em especial os mais ricos, devem alocar os meios financeiros necessários à continuação das políticas de coesão territorial.
“Aliás, é bom que se perceba que no mundo atual, competitivo e globalizado, não há lugar digno para qualquer país europeu numa Europa desunida, desregulada e desapoiada”, sublinhou.
Concluindo, o Presidente do Governo dos Açores deixou uma mensagem de advertência, mas também de esperança aos jovens que o ouviam.
“De advertência, alertando para que não julguemos a história por um dos seus momentos: isso é importante agora, porque o difícil momento europeu que vivemos não nos deve imobilizar, não simboliza o passado e não condena o futuro. De esperança, porque o nosso mundo é para ser melhor: ou, se preferirem, é para que o façamos mais propício à felicidade coletiva”, precisou.
Para Carlos César, “basta que batalhemos e queiramos ganhar a batalha”, sendo que “é a juventude que tem de estar na linha da frente do destino europeu, tal como uma nova geração ao serviço dos Açores.”
| 2012.05.09-PGR-ComemoraçõesDiaEuropa.mp3 |
GaCS
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