
O Secretário Regional da Presidência anunciou, hoje, no colóquio organizado pelo jornal Açoriano Oriental sobre “O Futuro da Imprensa Regional” que o Governo dos Açores, no âmbito do programa de apoio às empresas de comunicação social privadas – PROMEDIA, “que está a chegar à metade do seu período de vigência”, vai “proceder, conjuntamente com todos os agentes do sector que queiram colaborar, a um balanço intercalar, para verificar a eficácia das linhas de apoio existentes, da utilização que às mesmas tem sido dada ou da necessidade de algum ajustamento que melhore a aplicação do programa”.
André Bradford lembrou, a propósito dos apoios públicos à comunicação social, que nos Açores o Governo “não é proprietário de qualquer órgão de comunicação social e não pretende sê-lo, nem directa ou indirectamente, ao contrário do que acontece noutras regiões do País”, acrescentando que, apesar disso, existe a consciência de que o sector da comunicação regional “é vulnerável e enfrenta limitações específicas nos Açores” o que coloca o Governo “num papel de apoio supletivo na criação de condições que estimulem o seu desenvolvimento, o progresso e a requalificação das empresas, dos seus recursos humanos e dos seus produtos”.
O responsável pela tutela da politica do Governo dos Açores para a Comunicação Social, saudou a iniciativa de reflexão à volta do futuro da imprensa regional, considerando que esta surge num enquadramento de “pouco debate sobre a comunicação social e o jornalismo nos Açores”, sublinhando que se “reflecte pouco, de forma aberta, participada e descomplexada, sobre as especificidades do negócio e da actividade jornalística numa região com as características como a nossa”.
O Secretário Regional da Presidência considerou que a comunicação social, “pela natureza da sua actividade, pela forma como concebemos o relacionamento entre os poderes públicos e o poder mediático, é nosso entendimento que ao Governo Regional, neste âmbito, compete sobretudo fomentar e potenciar, através da disponibilização de meios para o efeito, a capacidade de iniciativa dos próprios órgãos de comunicação social, das empresas que os possuem e dos profissionais de comunicação social que neles trabalham, para, da forma que entenderem mais adequada, pensarem as questões que se colocam à actividade ou à profissão”. O governante lembrou, contudo, que o Governo “não tem tido grande sucesso no seu intento, apesar de anualmente prever, no quadro do PROMEDIA – Programa de Apoio à Comunicação Social dos Açores, uma linha específica de apoio à realização de iniciativas de formação, debate e actualização de conhecimentos, promovidas por meios de comunicação social regional”.
André Bradford apontou o caminho da “proximidade – de acesso às fontes, informativa ou temática, e referencial” como o “principal factor diferenciador e a maior vantagem competitiva da imprensa regional” e frisou: “Embora tenhamos sempre esperanças em ver a Região tratada com rigor e com o destaque merecido na imprensa de difusão nacional, não é na agenda dos media nacionais que um açoriano espera ver reflectida a realidade da sua terra, por muito que os meios de comunicação social do continente disponham de vantagens evidentes de escala, tecnológicas ou em termos de recursos técnicos”, disse.
A questão central que “é incontestável”, para André Bradford, “contrariamente às grandes teses dos anos 70 do século passado, não é o meio, é a mensagem, e que qualquer mensagem que seja referencialmente próxima, devidamente trabalhada em termos jornalísticos e facilmente acessível será sempre muito mais forte do que qualquer limitação técnica”.
“Em papel ou em versão digital, física ou virtualmente, nas mãos, no computador ou no telemóvel, o que é preciso é que a imprensa regional conheça o seu público, se vá habituando aos seus novos hábitos, e fale a sua linguagem. Como escrevia recentemente, a este propósito, Henrique Monteiro, no Expresso, a questão primordial estará sempre na qualidade da informação e na capacidade de produzir bons conteúdos”, acrescentou.
O governante, considerando a produção de bons conteúdos como a solução, adverte, no entanto, que “parece desajustado que se continuem a justificar por vezes opções de gestão mal sucedidas, decisões editoriais incompreensíveis ou modelos desadequados de organização do trabalho jornalístico com a proverbial pequenez ou a estafada distância”.
“Os padrões de profissionalismo, o respeito pela função social do jornalismo e pelas regras deontológicas do exercício da actividade, bem como a credibilidade da marca, não dependem da dimensão da empresa, da tiragem do jornal ou do número de jornalistas em cada redacção. Dependem sim da cultura da empresa e da consciência dos responsáveis editoriais e de cada um dos jornalistas, e esse é também um factor competitivo inestimável, em relação ao qual a imprensa regional açoriana estará, em tese, tão habilitada como qualquer outra” e acrescentou: “O respeito pelo público é a essência do dever de informar. O respeito pelo mercado é a essência do direito ao sucesso. Nenhum deles depende predominantemente da técnica. Numa sociedade aberta e plural, é o escrutínio que deles fizerem os públicos, o que investe e o que consome, mais do que qualquer outra coisa, que determina o futuro de um projecto editorial”, concluiu André Braford.
GaCS/LFC







Sem comentários:
Enviar um comentário