Segunda-feira, 20 de Maio de 2013

Carlos César acusa PR de "ignorância"


O ex-presidente do Governo açoriano Carlos César acusou hoje o Presidente da República de "ignorância" por convocar o Conselho de Estado para o Dia dos Açores e lamentou que Cavaco Silva e o primeiro-ministro tenham esquecido a data.
Falando no final da sessão solene do Dia da Região Autónoma dos Açores, realizada na sede do Parlamento açoriano, na cidade da Horta, no Faial, o ex-presidente dos governos regionais socialistas dos Açores lamentou que as principais figuras do Estado não tenham, sequer, enviado mensagens aos órgãos próprios da Região a propósito desta data.
"O significado maior do facto do Presidente da República e, atente-se, também do primeiro-ministro, não terem enviado mensagens nestes dias, não é que sejam nossos inimigos, é de que nem sequer nos conhecem", lamentou Carlos César, em declarações aos jornalistas.
O ex-presidente do governo açoriano, que foi condecorado hoje com a "insígnia autonómica de valor", depois de ter completado quatro mandatos como líder do executivo regional, acusou também Cavaco Silva de revelar "ignorância", ao convocar o Conselho de Estado para o Dia dos Açores.
"A convocação do Conselho de Estado para hoje é a manifestação dessa ignorância, desse abandono secular, dessa desnecessidade que algumas instituições da administração central adotam", apontou Carlos César, para quem os mais altos responsáveis políticos do país parecem estar "divorciados do país real".
Além de Carlos César, foram também condecoradas, durante a cerimónia do Dia da Região, outras 36 individualidades e instituições por se terem destacado nos Açores ou na diáspora, nas áreas profissional, cívica, religiosa, cultural ou desportiva.
Por coincidir com o Dia da Região Autónoma dos Açores, o presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, não estará hoje no Conselho de Estado convocado pelo Presidente da República para as 17:00.

Fonte: ECONOMICO.sapo.pt

Imposição de insígnias autonómicas no Dia dos Açores


O antigo Presidente do Governo dos Açores, Carlos César, foi a única individualidade hoje distinguida com a Insígnia Autonómica de Valor, a mais importante das insígnias honoríficas dos Açores.

A imposição das insígnias autonómicas teve lugar esta segunda-feira na cidade da Horta, durante a sessão solene comemorativa do Dia da Região, organizada conjuntamente pelo Governo dos Açores e pela Assembleia Legislativa.

É a seguinte a lista completa das 37 personalidades e instituições distinguidas este ano com insígnias honoríficas:

Insígnia Autonómica de Valor (1):

A Insígnia Autonómica de Valor destina-se a agraciar o desempenho excecionalmente relevante de cargos nos órgãos de governo próprio ou ao serviço da Região ou de feitos cívicos de grande relevo.

- Carlos Manuel Martins do Vale César (nasceu em outubro de 1956, em Ponta Delgada, foi Presidente do Governo Regional dos Açores entre 1996 e 2012, Vice-presidente e Deputado à Assembleia Regional e deputado à Assembleia da República, além de adjunto do Secretário de Estado da Administração Interna, membro da Assembleia Municipal de Ponta Delgada e Presidente da Assembleia de Freguesia da Fajã de Baixo, membro do Conselho de Estado, do Conselho Superior de Defesa Nacional, do Conselho Superior de Segurança Interna e do Conselho Superior de Proteção Civil).

Insígnia Autonómica de Reconhecimento (12):

A Insígnia Autonómica de Reconhecimento destina-se a distinguir os atos ou a conduta de excecional relevância de cidadãos portugueses ou estrangeiros que valorizem e prestigiem a Região no País ou no estrangeiro, ou que para tal contribuam, bem como para a expansão da cultura açoriana ou para o conhecimento dos Açores e da sua história e que se distingam pelo seu mérito literário, científico, artístico ou desportivo.

- António Clemente Pereira da Costa Santos (foi Secretário Regional do Comércio e Indústria do II Governo Regional, presidente do Clube União Micaelense, do Clube de Tiro de S. Miguel e da Secção Regional dos Açores da Ordem dos Engenheiros e Membro, Secretário da Mesa, Vice Provedor e Provedor da Irmandade do Senhor Santo Cristo).

- Ariel Edison Guadalupe Cabrera (a título póstumo; nasceu na cidade Madonado, no Uruguai, em 1942, tendo passado a viver desde a sua adolescência em San Carlos. No bicentenário da Fundação de San Carlos, a 24 de Agosto de 1963, nasceu o conjunto Los Azoreños, como Grupo de Ritmo e Danças, passando em 2004 a Associação Civil, e, em 2011, a Casa dos Açores. Livre pensador, escrevia contos e poesia como hobby, tendo o seu trabalho de maestro e professor ocupado a maior parte da sua vida).

- Artur Teodoro de Matos (licenciado em História pela Faculdade de Letras de Lisboa, organizou e dirigiu o Departamento de História e o Centro de Estudos Gaspar Frutuoso até ser nomeado Vice-reitor da Universidade dos Açores, em 1983, tendo a sua ação sido considerada decisiva para o crescimento e afirmação científica da Universidade dos Açores).

- Francisco Cota Fagundes (nasceu na ilha Terceira e emigrou para os Estados Unidos muito jovem, tendo aí feito os estudos até ao doutoramento em Línguas e Literaturas Hispânicas em 1976. Professor de Português na Universidade de Massachusetts, Amherst, assinou, coordenou e traduziu 28 livros, sendo também autor de cerca de 70 artigos editados em revistas científicas e monografias).

- Heitor Miguel Medeiros Sousa (estudou no Seminário Episcopal de Angra do Heroísmo, onde concluiu o sétimo ano. No seu percurso laboral foi escriturário nos Tribunais de Ribeira Grande e de Ponta Delgada e funcionário da Caixa Económica da Ribeira Grande, do Banco Borges e Irmão e do Banco Comercial dos Açores, cujo escritório representativo dirigiu em Fall River, de 1981 até 1995. Fundou as Grandes Festas do Divino Espírito Santo da Nova Inglaterra, celebração que reúne milhares de emigrantes açorianos de vários pontos do mundo).

- Manuel Edward de Mello (a título póstumo; mais conhecido por Eddy Mello nasceu em S. Miguel e emigrou para a Bermuda aos 11 anos. Durante 30 anos foi o anfitrião do Programa Português de Rádio e pertenceu ao Portuguese Center Committe e ao Committe for Long Term Residents. Como empresário, promoveu espetáculos na Bermuda de talentos musicais então em voga, como Amália Rodrigues, Ray Charles, Stevie Wonder)

- Maria João da Câmara da Silva (nasceu em 1975 no Concelho das Lajes do Pico. Aos 32 anos começou a frequentar o Centro de Atividades Ocupacionais da Santa Casa da Misericórdia da Madalena do Pico, onde teve oportunidade de descobrir a sua aptidão para o desporto, com especial enfoque na modalidade de Atletismo, disciplina de marcha atlética. Portadora de trissomia 21, em 2010 foi selecionada para integrar a Seleção Nacional de Síndrome de Down, tendo nesse ano conquistado o primeiro lugar nas disciplinas de marcha atlética nas provas de 400M e de 1500M, no Campeonato do Mundo de Atletismo. Desde então tem participado em todas as competições regionais, nacionais, europeias e mundiais, tendo sempre revalidado o título nas provas de marcha e superado os seus recordes mundiais).

- Mário João de Oliveira Ruivo (formado em Biologia na Universidade de Lisboa, especializou-se em Oceanografia Biológica e Gestão de Recursos Vivos, tendo desenvolvido uma vasta investigação em Portugal e no estrangeiro. Foi Diretor da Divisão de Recursos Aquáticos e do Ambiente/Departamento de Pescas da FAO (Roma), Coordenador da Comissão Mundial Independente para os Oceanos, Membro da Comissão Estratégica dos Oceanos. É atualmente Presidente da Comissão Oceanográfica Intersectorial do MCTES, do Conselho Nacional do Ambiente e do Desenvolvimento Sustentável e do Fórum Permanente para os Assuntos do Mar).

- Meaghan Benfeito (nasceu em 1989 no Canadá, filha de pais portugueses oriundos dos Açores. Começou a sua carreira de atleta em 2005, ganhando logo nesse ano uma medalha de bronze nos Campeonatos Aquáticos Mundiais na sua cidade natal: Montreal. Em 2006 e 2007, ganha novas medalhas de bronze nos Jogos da Commonwealth e da Pan American em natação sincronizada. Nos Jogos Olímpicos de 2012, na competição de natação sincronizada, arrecada mais uma medalha de bronze).

- Nuno Duarte Gil Mendes Bettencourt (nasceu em setembro de 1966 na Praia da Vitória, ilha Terceira. Aos quatro anos emigrou com a família para os Estados Unidos da América. Em 1985 integra a banda de rock “Extreme”, sendo considerado pela crítica da especialidade um dos melhores guitarristas do mundo. Concebeu o seu próprio modelo de guitarra, a N4, que vende uma média de 300.000 por ano. Atualmente é guitarrista da tournée da cantora norte americana Rhianna).

- Seminário Episcopal de Angra (fundado em 1862, é a única instituição de ensino eclesiástico da Igreja Católica na Região. Foi, durante muito tempo, a única instituição de ensino pós-secundário nos Açores, responsável pela formação de gerações e da intelectualidade das ilhas. Passaram pelo Seminário Episcopal nomes hoje reconhecidos nas artes e, principalmente, na literatura).

- Vasco Manuel Pimentel Pereira da Costa (nasceu em 1948 em Angra do Heroísmo e vive em Coimbra desde 1966. Licenciado em Filologia Românica pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, foi professor nos ensinos secundário e superior e diretor do Departamento de Cultura, Turismo e Espaços Verdes da Câmara Municipal de Coimbra. De 2001 a 2008 foi Diretor Regional de Cultura nos Açores. Escritor, publicou seis livros de ficção e sete de poesia. Recebeu o Prémio Miguel Torga 1984 e o prémio Aquilino Ribeiro em 1985. É também pintor conhecido pelo pseudónimo de Manuel Policarpo, nome de seu avô).

Insígnia Autonómica de Mérito

A Insígnia Autonómica de Mérito visa distinguir atos ou serviços meritórios praticados por cidadãos portugueses ou estrangeiros no exercício de quaisquer funções públicas ou privadas. Tem três categorias.

Insígnia Autonómica de Mérito Profissional (3):

- Augusto Pamplona Monjardino (a título póstumo; nasceu em 1909 em Angra do Heroísmo. Licenciou-se em Medicina na Universidade de Lisboa. Regressou às origens e praticou Medicina em todas as especialidades não disponíveis naquele tempo na ilha Terceira. Delegado de Saúde por longos anos, foi ainda Presidente do Rádio Clube de Angra.

- Dinis Manuel Pacheco Martins (nasceu em 1957 na Lagoa, em S. Miguel. Licenciou-se em Medicina em 1984 na Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. É titular das subespecialidades de Eletrofisiologia Cardíaca e Cardiologia de Intervenção. Foi gestor do Programa de Prevenção e Controlo das Doenças Cerebrocardiovasculares do Plano Regional de Saúde entre 2009 e 2012. É Diretor do Serviço de Cardiologia do Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada, desde 2006.

- Vasco Augusto Sodré Aguiar (nasceu em 1932 em Angra do Heroísmo, onde fez estudos até à Universidade. Licenciou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e especializou-se em Radiologia no Hospital de Santa Maria. É especialista em Radiodiagnóstico pela Ordem dos Médicos desde 1962 e fez o curso de Mamografia em 1979. Foi Diretor do Serviço de Radiologia do Hospital de Santo Espírito de 1962 a 2002 e dirigiu o serviço de Mamografia do Centro de Oncologia dos Açores).

Insígnia Autonómica de Mérito Industrial, Comercial e Agrícola (5):

- Artur Ribeiro Ramos (nasceu em 1939 em Santa Cruz das Flores e estreou-se na carreira comercial na empresa do seu pai em 1954, tendo em 1958 assumido funções de sócio gerente. Foi mentor do desenvolvimento e modernização do comércio nas Flores, empregando centenas de trabalhadores. Nos planos desportivo, social e cultural também exerceu funções no Clube de Futebol União Desportiva de Santa Cruz, na Sociedade Filarmónica Dr. Armas da Silveira, na Santa Casa da Misericórdia e no Lions Clube Pérola do Ocidente, que obteve o prémio de Clube Excelência.

- Emiliano Arruda de Castro Carneiro (a título póstumo; nasceu em 1926, em S. Miguel. Engenheiro agrónomo, gestor de empresas nas áreas da produção agroalimentar e distribuição, ganhou projeção com a sua ação na direção da Câmara de Comércio e Indústria dos Açores. Foi fundador e primeiro Presidente da Secção Regional dos Açores da Ordem dos Engenheiros).

- João Batista dos Santos (nasceu na Batalha há 72 anos. Iniciou a sua atividade como industrial no setor da construção civil na região de Leiria, projetando vários negócios em diferentes pontos do país e alargando a sua área empresarial à hotelaria e restauração. Nos Açores, em 1983, constituiu a sociedade Praia de Lobos Empreendimentos Turísticos, S.A., em Vila do Porto, sendo atualmente Presidente do Conselho de Administração da Empresa e, desde 1999, sócio da empresa VOPARUT – Investimentos Turísticos, Lda).

- José Aurélio Martins Mendonça (nasceu em 1951, na freguesia de Santa Cruz, Concelho Praia da Vitória. Distinguiu-se como empresário agrícola embora tenha tido também outras atividades sociais. Foi dirigente dos talhos da ilha Terceira e sócio fundador da Associação dos Agricultores do Distrito de Angra do Heroísmo em 1975, além de Presidente da direção da Unicol durante 13 anos)

- Luís Alberto Meireles Martins Mota (nasceu em 1945 no Concelho da Lagoa, em S. Miguel. Licenciou-se em Engenharia Química pela Universidade do Porto em 1969 e em Farmácia, também pela Universidade do Porto em 1975. Iniciou funções políticas como Deputado à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores, tendo sido também Presidente da Câmara Municipal de Lagoa, Presidente do Conselho de Administração da Associação de Municípios da Região Autónoma dos Açores, Administrador da Empresa de Eletricidade dos Açores, S.A., Presidente da Direção da Associação para o Desenvolvimento e Promoção Rural e Vogal do Conselho de Administração da Empresa PROCONFAR S.A).

Insígnia Autonómica de Mérito Cívico (9):

- António José Pimentel Cassiano (nasceu em 1943 nas Furnas, concelho da Povoação. Foi para o Seminário de Angra em 1954 e ordenado padre em 1966. De 1967 a 1973 foi Pároco na Freguesia do Norte Pequeno, na ilha de São Jorge. De 1975 a 1996 exerceu atividade profissional na área da Segurança Social, em Vila Franca do Campo e, nessa qualidade, atividade sindical como dirigente regional e nacional do Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Sul e Açores, tendo representado os Açores no Conselho Nacional da CGTP durante 3 anos de mandato. É Pároco In Solidum e Ouvidor em Vila Franca do Campo e, desde o ano 2000, Diretor do jornal A Crença.

- Fernanda Correia Garcia Trindade (nasceu em 1945 no Faial. Iniciou a sua atividade como professora do Ensino Básico na ilha Terceira, profissão que desempenhou ao longo de 30 anos. Fez nascer o primeiro jornal escolar “Janela Aberta”, colaborou com várias Instituições Particulares de Solidariedade Social e fundou em 1996 a Associação Liga dos Amigos do Hospital de Angra, que dirigiu durante 17 anos. Integra a lista para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores pelo Partido Socialista na legislatura 2004/2008, assumindo as funções de deputada).

- Filarmónica Lira Corvense (constituída em 4 de novembro de 1938, sendo a única banda existente na ilha do Corvo. Desde a sua constituição passou por momentos difíceis, chegando a suspender as suas atividades por razões de emigração e do serviço militar obrigatório, que desfalcavam a população juvenil da ilha. A Filarmónica Lira Corvense foi reativada em 1991. Não tendo maestro residente, tem contado com diversas colaborações de nomes sonantes na área musical).

- Fundação Faialense (Em 1969 nascia em New Bedford, resultante de uma ideia apresentada pelo Padre Manuel Garcia, acolhida por um grupo de faialenses que aceitaram o desafio de criar um fundo para bolsas a atribuir a estudantes faialenses com dificuldades financeiras. A primeira bolsa foi atribuída em 1972 e em 1973 expandiu-se para a Califórnia. Em 1980 começou a atribuir bolsas aos filhos de faialenses emigrados. Ao longo do tempo, a dedicação dos seus voluntários foi consolidando a obra da Fundação com a atribuição de mais de 325 bolsas e com um fundo superior a 200 mil dólares.

- José Cardoso Romeiro (nasceu na vila de S. Sebastião em 1930. Emigrou para o Brasil com 21 anos e o pagamento do seu primeiro trabalho, num açougue, foi apenas a garantia da sua subsistência: alimentação e dormida. Quando aprendeu o ofício de cortar a carne foi convidado a ser sócio de um talho e, desde então, começou a ser um empresário de sucesso, primeiro como talhante, depois como proprietário de um posto de gasolina e, em seguida, proprietário de uma empresa de transporte de passageiros. Emprega hoje mais de setecentas pessoas).

- José Simões Borges (a título póstumo; nasceu em 1928, na Ilha Terceira. Foi ordenado em 16 de Novembro de 1952 e paroquiou na Terceira e em S. Jorge, até à sua ida para a Graciosa em 1964, onde ficou responsável pelas igrejas de Ribeirinha e Vitória. Em 1985 passou a dirigir a paróquia de Guadalupe. Também foi dirigente associativo, cronista, conferencista, pesquisador historiográfico, tendo deixado marcas no folclore, na rádio, no teatro, e sobretudo, na memória coletiva dos açorianos e, em especial, dos graciosenses. Violinista, compositor e maestro, o Padre Simões colaborou ainda com diversos grupos musicais).

- José Soares Nunes (nasceu em 1934 na ilha de São Jorge. No Seminário Episcopal de Angra fez a sua formação liceal, filosófica e teológica com vista ao sacerdócio, sendo, desde 1964, professor de Teologia neste Seminário, docência que vem exercendo ininterruptamente até ao presente. Foi Vice-Reitor do Seminário Episcopal de Angra. Em 1990 foi nomeado Monsenhor com o grau de Capelão de Sua Santidade e, em 2006, foi elevado ao grau de Prelado de Honra de Sua Santidade. É Vice-Chanceler da Cúria Diocesana desde 2005, cargo que lhe tem sido renovado até ao presente por sucessivas Provisões Episcopais.

- Júlio da Rosa (nasceu em 1924 na freguesia Flamengos, concelho da Horta. Pároco das Angústias, professor do Liceu da Horta, colaborador e fundador de alguns periódicos, educador e homem de cultura é autor de 13 títulos publicados. Organizou o Museu de Arte Sacra e Etnografia Religios, é membro do Conselho Internacional dos Monumentos e Sítios e do Instituto de Estudos Genealógicos do Uruguai).

- Obra Social Madre Maria Clara – Açores (fundada pela Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição em setembro de 1997, tendo como lema “onde houver o bem a fazer que se faça”. A obra está instalada em três ilhas: no Pico, com um Centro de Acolhimento Temporário e um Lar de Crianças e Jovens; na Terceira com uma Creche, um Jardim de Infância e uma Escola do Ensino Básico até ao sexto ano de escolaridade; em S. Miguel, um Lar de Crianças e Jovens, um ATL e uma Ludoteca Ambulante).

 Insígnia Autonómica de Dedicação (7)

A Insígnia Autonómica de Dedicação visa destacar relevantes serviços prestados no desempenho de funções na Administração Pública, bem como agraciar aqueles funcionários que demonstrem invulgares qualidades dentro da sua carreira e que, pelo seu comportamento, possam ser apontados como exemplo a seguir.

- Adelaide Maria Medina Teles (como professora, em 1975, integrou um curso que teve por objetivo a sensibilização para a democratização do ensino, novos programas e novos métodos de aprendizagens e também fez parte da equipa de professores que fundou o ensino oficial então chamado preparatório. Foi coordenadora pedagógica, delegada sindical e pertenceu a várias organizações da Igreja, de natureza formativa e de solidariedade social. Foi deputada à Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores durante 16 anos. É Provedora da Santa Casa da Misericórdia de Santa Cruz da Graciosa desde 1 de janeiro de 1980).

- Ana Paula de Medeiros Andrade Constância (nasceu em 1964 em Ponta Delgada onde concluiu o Curso Geral de Música no Conservatório Regional. Em 1987 concluiu o Curso Superior de Piano no Conservatório Nacional em Lisboa e, no ano seguinte, o curso superior de composição. Estudou também durante três anos no Instituto Gregoriano de Lisboa. Tem realizado ao longo da sua carreira muitos concertos a solo e em conjunto, em Portugal e no estrangeiro, entre os quais se destacam um concerto com a soprano Eulália Mendes na Expo 98, integrado no Dia dos Açores. É, desde 1989, professora no Conservatório Regional de Ponta Delgada, onde dirige desde 2004 o Coro Infantil e assumiu há nove anos a Presidência do Conselho Executivo.

- Arminda Maria Ávila Pimentel da Silveira (Arminda Alvernaz de seu nome artístico, nasceu no Pico, onde começou a sua carreira artística a seguir alargada a todas as ilhas dos Açores e ao continente português. Em 1990 iniciou a sua carreira internacional. Editou três álbuns de fado a solo: “Maresia” em 1999; “Água de Fado” em 2006 e “Fado Lira” em 2012. Gravou um álbum de homenagem ao velejador Genuíno Madruga e gravou também com outros artistas e com uma Orquestra Internacional composta por elementos de vários países europeus “7 Luas Orkestra”)

- Carlos Alberto Marques (foi residir para a Ilha das Flores em julho de 1976, como sargento enfermeiro da Marinha. Ao longo da sua carreira desempenhou as mais variadas tarefas profissionais: internamento, urgências hospitalares, pequena cirurgia, ortopedia e cardiologia. Foi pioneiro em cuidados domiciliários e dinamizador ativo da instalação de telemedicina, tendo criado o serviço regular de teleetrocardiografia e o serviço de Fisioterapia, a unidade móvel de saúde, consultas regulares de Pediatria e Cardiologia Pediátrica, Psiquiatria, Fisiatria).

- Francisco da Encarnação Afonso (nasceu em setembro de 1931 no Concelho de Freixo de Espada à Cinta. Fez o Curso de Pilotos da Força Aérea Portuguesa, o Curso de Navegador e o Curso de Instrução em Aviões Plurimotores. Veio em 1965 para os Açores – Base Aérea de Lajes. Fez desta a sua terra de adoção e ingressou como piloto nos quadros da SATA, onde foi responsável pela Direção das Operações de Voo durante mais de 20 anos, acumulando com as funções de piloto comandante, de instrução e verificação de pilotos. Pilotou toda a frota da SATA com exceção do Dornier.

- José Costa Melo (nasceu em 1946 em S. Miguel, na freguesia da Relva. Trabalhou no jornal Diário dos Açores e estudou, simultaneamente, durante seis anos, até à entrada para o serviço militar. Pertenceu aos quadros da RTP/Açores mais de vinte anos, até ao ano de 1995, altura em que decidiu retirar-se e dedicar a quase totalidade do seu tempo à causa pública. Tem trinta e três anos de trabalho como autarca ao serviço da população da Relva).

- Maria de Simas Cardoso (nasceu na Horta em 1929. Frequentou a Escola do Magistério Primário da Horta e iniciou a sua atividade profissional em 1951. Lecionou nas freguesias de Angústias, Pedro Miguel, Feteira, Praia do Almoxarife e Matriz. Em 1969 foi nomeada para exercer as funções de professora de Didática Especial, Legislação e Administração Escolar, no quadro da Escola do Magistério Primário da Horta. Foi diretora da Escola do Magistério Primário da Horta de 1978 a 1989 e de 1990 a 1995 responsável pelo polo da Horta do Centro Integrado de Formação de Professores, o que lhe permitiu negociar a extensão do ensino da Universidade Aberta à Horta).





GaCS

Defesa da Autonomia exige ambição e determinação, com o envolvimento de todos, afirma Presidente do Governo


O Presidente do Governo dos Açores afirmou hoje, na Horta, que a Região e a Autonomia enfrentam atualmente “um dos maiores desafios”, provocado por um “turbilhão de injustiça, de indefinição e de prioridades falhadas”, defendendo que o sucesso do caminho a percorrer tem que passar por uma “ação ambiciosa e determinada”.

“Interessa termos a lucidez para perceber que o funcionamento desse escudo protetor que queremos que seja a Autonomia não se compadece com a passividade, com o imobilismo ou com a inércia”, afirmou Vasco Cordeiro, para quem “a solução não é pensarmos que a Autonomia equivale a uma muralha que nos isola do mundo cada vez mais globalizado em que vivemos”.

“A nossa Autonomia não justifica que ignoremos uma realidade que se altera e que exige uma atuação conforme. A nossa Autonomia deve, isso sim, constituir o instrumento para que sejamos nós a definir o tempo, o modo e os objetivos do que, a este propósito, tiver de ser feito”, frisou Vasco Cordeiro, no discurso que proferiu na cerimónia comemorativa do Dia da Região.

Nesse sentido, considerou que “a Autonomia está, não em isolarmo-nos do mundo que nos rodeia, mas sim em sermos capazes de tomar nas nossas mãos a construção das soluções que melhor nos servem enquanto Povo”.

Na sua intervenção, Vasco Cordeiro salientou que os Açorianos “firmes e orgulhosos” do que conseguiram ao longo dos tempos, enfrentam agora “tempos desafiantes”, desde logo porque vivem “numa Europa que parece ter perdido o rumo e que brinca, leviana e inconsciente, com fogos que tão severamente já a queimaram no passado”.

Nesta Europa onde o Estado Social “parece ser um empecilho para os tecnocratas dos gabinetes”, a Autonomia tem que servir para procurar as melhores soluções, seja ao nível do combate ao desemprego, do reforço da competitividade das empresas ou da sustentabilidade do Serviço Regional de Saúde.

Vasco Cordeiro defendeu, no entanto, que a Autonomia “não pode correr o risco de ser reduzida a uma Autonomia do conforto material”, frisando que o futuro exige “uma ação que concretize uma Autonomia qualificadora da nossa sociedade, qualificadora do nosso Povo e qualificadora da nossa Democracia”.

A existência de uma educação que garanta a cada Açoriano as ferramentas necessárias para a sua realização pessoal, social e profissional é “um desafio a que a Autonomia ainda não respondeu cabalmente”, mas que é “absolutamente vital para o sucesso”.

Nesse sentido, o Presidente do Governo apelou ao “empenho e esforço de todos os atores da sociedade”, frisando que esta não é uma tarefa apenas do Executivo.

Por outro lado, frisou que o futuro da Autonomia exige um “exercício ativo e empenhado de uma cidadania exigente e esclarecida”, defendendo que “cada vez menos a Autonomia depende apenas de formas institucionais de afirmação cívica e participação política”.

“Todos somos responsáveis e todos seremos responsáveis pelo vigor e pela intensidade com que formos capazes de trazer para o campo da nossa ação quotidiana estas preocupações que influenciam diretamente a evolução e a sustentabilidade da nossa Autonomia”, afirmou.

No discurso do Dia da Região, Vasco Cordeiro defendeu “a urgência de uma Democracia em que, no exercício da respetiva soberania, os cidadãos, todos os cidadãos, desfrutam das condições adequadas para a realização dos ideais de Liberdade e de autorrealização”.

“O mapa a que os Açores pertencem e em que os Açores querem continuar a figurar é o mapa das ideias, do diálogo, da prosperidade que valoriza as oportunidades individuais, sem deixar de integrar a solidariedade entre gerações, entre povos, entre regiões”, afirmou.

“Este é o mundo, o nosso mundo, que todos os dias construímos com denodo e orgulho e que não queremos que outros decidam por nós, seja em Lisboa, em Bruxelas ou em Washington”, frisou o Presidente do Governo dos Açores.



GaCS

Intervenção do Presidente do Governo


Texto integral da intervenção do Presidente do Governo, Vasco Cordeiro, proferida hoje, na Horta, na Sessão Solene comemorativa do Dia da Região Autónoma dos Açores:

“Neste dia em que se celebram os Açores e a nossa Autonomia, as minhas primeiras palavras são para saudar todas as Açorianas e Açorianos que, do Corvo até Santa Maria, se encontram irmanados pelos sentimentos de Partilha, da Esperança e da Solidariedade que o dia de hoje também simboliza.

Não foi, como todos sabemos, por acaso fortuito que a data escolhida para celebrar a nossa Região, os nossos Açores, coincide com a Segunda-feira do Espírito Santo.

Celebrar os Açores neste dia é celebrar, também, uma das âncoras da nossa  Açorianidade, uma das celebrações que, a par da nossa condição de ilhéus, mais entretece os fios da nossa identidade, esteja onde estiver um Açoriano.

É por isso que celebrar o Dia dos Açores é também celebrar aqueles que levaram o nome dos Açores para outras paragens.

Lembrando os “azoreños” do Uruguai que, há 250 anos, povoaram San Carlos, ou os Açorianos que, há 60 anos, aportaram a Halifax, no Canadá, saúdo os nossos irmãos da Diáspora, dirigindo-lhes uma palavra de afeto e invocando a sua presença aqui nesta sessão, nesta manifestação de sentir Açoriano e de orgulho na nossa condição Povo ilhéu.

Aqueles que, por necessidade ou por opção, partiram para outras paragens têm também o seu lugar nesta celebração, na exaltação de um Povo que desbravou horizontes e rompeu fronteiras, e hoje está presente nas quatro partidas do Mundo.

Uma saudação especial também aos nossos homenageados, pelo Exemplo, pela Dedicação e pela manifestação que corporizam, pelos seus atos, do que honra e orgulha o Povo Açoriano.

A atribuição das Insígnias Honoríficas Açorianas que vos é feita não é apenas um ato de reconhecimento.

É também uma manifestação clara de que os Açorianos, através dos seus representantes, consideram que os vossos percursos, os vossos feitos, o vosso trabalho devem constituir motivos inspiradores de exemplo para os nossos concidadãos.

Bem hajam, pois, por trazerem mais intensidade ao orgulho que existe na palavra Açor.

Mais do que a celebração do ideal que cada um de nós dela tem, hoje celebramos a Autonomia real, aquela que nasce do compromisso entre os ideias e a realidade que os mesmos ambicionam moldar.

É, pois, uma Autonomia que quotidianamente se revigora e se impulsiona na medida da legítima ambição de cada um dos atores políticos, institucionais ou sociais de a transformar e de a fazer cumprir os objetivos que lhe estão inerentes.

Reconhecemos que é deste processo de diálogo, é da salutar tensão proponente entre as diversas perspetivas que cada um tem, que vamos avançando e progredindo.

É assim com este espírito que este dia, aquilo que ele representa e aquilo que nele celebramos, se torna pertença de todos os Açorianos e de nenhum em particular.

Neste dia maior para os nossos Açores interessa, é certo, vermos o caminho que já fizemos.

O caminho que fizemos como Povo e o caminho que fizemos como Região.

O muito que alcançámos e que conquistámos num trajeto quantas vezes marcado pela intensidade e pelos caprichos da Natureza, mas também pelas suspeitas, pelas incompreensões e  pelo desconhecimento dos homens.

Mas hoje aqui estamos.

De pé, firmes e orgulhosos do que conseguimos ao longo dos tempos.

Contudo, tão ou mais importante do que olhar para o quanto já percorremos, interessa, talvez, perspetivar, com ambição, o caminho que queremos trilhar no futuro.

Estes são tempos desafiantes.

Vivemos numa Europa que parece ter perdido o rumo e que brinca, leviana e inconsciente, com fogos que, tão severamente, já a queimaram no passado.

Cada vez mais, assiste-se a um retrocesso que se manifesta no alimentar de divisões entre os países do Norte e do Sul, do Centro e da periferia.

Quotidianamente, presenciamos um discurso e a uma prática que parece remeter para segundo plano os valores europeus e humanistas que julgávamos inquestionáveis no século XXI, depois dos conflitos bélicos que marcaram o século XX.

O Estado Social, um dos maiores ativos da nova Europa, parece estar refém de uma construção discursiva ardilosa que o considera como um empecilho para os tecnocratas dos gabinetes europeus, um empecilho que é necessário resolver quanto antes para que os mercados – o alfa e o ómega desta Europa tecnocrata – possam continuar satisfeitos na sua constante insatisfação.

No meio deste turbilhão de injustiça, de indefinição e de prioridades falhadas, a nossa Região e a nossa Autonomia encontram-se face a um dos maiores desafios a vencer.

Condição essencial para que tal aconteça com sucesso, é uma ação ambiciosa e determinada que sirva os Açorianos e que os proteja, até ao limite das nossas competências e até ao limite dos nossos recursos, desse vendaval que também nos afeta.

Mas, mesmo aqui, interessa termos a lucidez para perceber que o funcionamento desse escudo protetor que queremos que seja a Autonomia não se compadece com a passividade, com o imobilismo ou com a inércia.

A solução não é, pois, a de pensarmos que a Autonomia equivale a uma muralha que nos isola do mundo cada vez mais globalizado em que vivemos e que, por isso, temos o direito de exigir dela as respostas que ignoram a envolvência nacional e internacional que nos condiciona.

Temos de fazer o nosso caminho de reformar o que pode ser melhorado, de corrigir o que pode ser aperfeiçoado e de mudar o que deve ser mudado.

A nossa Autonomia não legitima a inatividade perante a exigência de ação.

A nossa Autonomia não justifica que ignoremos uma realidade que se altera e que exige uma atuação conforme.

A nossa Autonomia deve, isso sim, constituir o instrumento para que sejamos nós a definir o tempo, o modo e os objetivos do que, a este propósito, tiver de ser feito.

A Autonomia está, aqui e mais um vez, não em isolarmo-nos do mundo que nos rodeia, mas sim em sermos capazes de tomar nas nossas mãos a construção das soluções que melhor nos servem enquanto Povo.

É assim no combate ao Desemprego que afeta muitas famílias Açorianas e que assumimos como uma prioridade política da nossa atuação.

É assim na nossa Economia e nas medidas que estamos a concretizar e que contribuem para o reforço da competitividade das nossas empresas.

É assim no nosso Serviço Regional de Saúde que queremos sustentável e a servir cada vez melhor os Açorianos.

É assim em tantas e tantas áreas da nossa vivência coletiva em que a nossa Autonomia não pode ser o pretexto para a cristalização de soluções, mas antes o impulso na garantia das melhores respostas aos desafios com que somos confrontados.

A Autonomia de que usufruímos, se é certo que só pode ser considerada como válida se for uma Autonomia de resultados para as Açorianas e Açorianos, não pode, também, correr o risco de ser reduzida a uma Autonomia do conforto material.

À medida que a fase de infraestruturação física vai-se concluindo, torna-se necessário também colocar no centro das nossas preocupações aquela que deve ser, já não apenas uma ação dirigida a garantir os benefícios materiais que o nosso modelo de governo proporcionou e proporciona, mas uma ação que concretize uma Autonomia qualificadora da nossa sociedade, qualificadora do nosso Povo e qualificadora da nossa Democracia.

É nessa linha estratégica que perspetiva o futuro da nossa Região e o futuro da nossa Autonomia, que se inserem preocupações relativas à capacidade de termos, cada vez mais, uma Educação que garanta a cada Açoriana e a cada Açoriano as ferramentas para a sua realização pessoal, social e profissional.

Este é um desafio a que a nossa Autonomia ainda não respondeu cabalmente, sobretudo nas vertentes do sucesso escolar e do combate ao abandono escolar precoce.

Mas este afigura-se como um desafio absolutamente vital para o sucesso, diria até, para a sobrevivência futura do nosso modelo de auto-governo.

É exatamente por esta importância estratégica que o mesmo deve convocar o empenho e o esforço de todos os atores da nossa sociedade.

Desenganem-se aqueles que pensam que esta é uma tarefa apenas do Governo.

Cabe a cada um de nós a valorização dessa componente qualificadora da nossa sociedade, pois a inexistência de uma esforço concertado, não apenas para criar as condições e os mecanismos para a satisfação dessa necessidade, mas também de valorizar aqueles que a prosseguem, dificulta, se não mesmo inviabiliza, o sucesso dessa aposta.

Relacionado com esta, existe também outra componente que se afigura como essencial para o nosso futuro coletivo e, em especial, para o futuro da nossa Autonomia.

Refiro-me ao exercício ativo e empenhado de uma cidadania exigente e esclarecida.

Cada vez menos a Autonomia depende apenas de formas institucionais de afirmação cívica e participação política.

Ela deve radicar, e progressivamente para aí caminhamos, na convicção individual dos seus méritos e das suas potencialidades.

E, para isso, torna-se necessário fomentar uma cidadania interventiva, esclarecida e empenhada.

Também aqui é fácil, demasiado fácil até, reconduzir apenas aos entes públicos a responsabilidade única de promover essa cidadania autonomista.

Todos somos responsáveis e todos seremos responsáveis pelo vigor e pela intensidade com que formos capazes de trazer para o campo da nossa acção quotidiana estas preocupações que influenciam diretamente a evolução e a sustentabilidade da nossa Autonomia.

A modernidade ainda não esgotou o seu ciclo histórico nas nossas ilhas.

Impõe-se a continuidade do debate do fim do século XIX, o resgate da inquietação vanguardista de sempre para novos caminhos e novas criações de liberdade e de política.

Caminhos a inaugurar pelas mulheres e homens Açorianos, pela jovens Açorianos, que, para se situarem no Mundo, reconhecem que a sua forma de pensar se inspira na diferença da sua insularidade como fator de enriquecimento e de dignificação do seu património e dos seus ideais de solidariedade de Autonomia.

Esta Autonomia que se quer sempre regional, esta Solidariedade que se conjuga com a palavra Açores, esta palavra-programa que, em particular nesta Segunda-feira da Pombinha, se inscreve na vivência social e, por isso, política destas ilhas dos nossos Avós, dos nossos Pais e dos nossos Filhos.

Esta urgência de uma Democracia em que, no exercício da respetiva soberania, os cidadãos, todos os cidadãos, desfrutam das condições adequadas para a realização dos ideais de Liberdade e de autorrealização.

Há um caminho que continua e o caminho das Açorianas e dos Açorianos não se suspende.

Os Açores não se interrompem.

Hoje, no nosso Dia, o que os Açores levam ao País, o que as naus que partem dos Açores, mais uma vez, levam a este País resgatado, são os valores da Liberdade, da Responsabilidade e da Solidariedade intergeracional.

Os valores de um Povo de pé, que se renova todos os dias a adiantar neste mar Atlântico a alma da Pátria.

O mapa a que os Açores pertencem e em que os Açores querem continuar a figurar é o mapa das ideias, do diálogo, da prosperidade que valoriza as oportunidades individuais, sem deixar de integrar a solidariedade entre gerações, entre povos, entre regiões.

Este é o mundo, o nosso mundo, que todos os dias construímos com denodo e orgulho, e que não queremos que outros decidam por nós, seja em Lisboa, em Bruxelas ou em Washington.

E, conscientes da responsabilidade da História que sobre nós impende e animados pela ambição de um melhor Futuro, não temos dúvidas em afirmar que lutar, lutar sempre pelo Respeito e pela Dignidade que nos é devida como Povo, é, talvez, a melhor homenagem que podemos fazer aos nossos Pais e aos nossos Avós e a melhor herança que podemos deixar aos nossos Filhos.

E, por isso, hoje, em parte alguma do Mundo onde esteja um Açoriano, em parte alguma destes Açores em que vivemos, não se deixe de gritar com Esperança e com Confiança,  não se deixe de gritar com fé e com firmeza,

Viva os Açores!”



GaCS

Dia da Região Autónoma dos Açores



Domingo, 19 de Maio de 2013

Diretor Regional das Comunidades destaca importância das Casas dos Açores


O Diretor Regional das Comunidades reafirmou a prioridade do Governo dos Açores em trabalhar proximamente com todas as Casas dos Açores, em prol da Açorianidade e da promoção da Região Autónoma dos Açores no mundo.

Paulo Teves, que falava sábado, em Faro, na sessão comemorativa do 20.º aniversário da Casa dos Açores do Algarve, elogiou o trabalho realizado por esta instituição durante duas décadas junto dos açorianos residentes no sul de Portugal, bem como a sua ação como “veículo essencial de transmissão de valores e da manutenção da identidade açoriana longe do espaço da ilha”.

O Diretor Regional das Comunidades destacou ainda a importância da Casa dos Açores do Algarve “integrada no projeto comum de preservação da identidade açoriana, em permanente convergência, para além das restantes Casas dos Açores, com as centenas de outras organizações açorianas espalhadas pelo mundo”.

“O Governo dos Açores está empenhado na promoção de sinergias que reforcem, para além da preservação da cultura, dos costumes e da língua mãe, a divulgação dos Açores de hoje, as suas potencialidades, nos mais diversos quadrantes”, salientou Paulo Teves.

“Esta sessão comemorativa é também uma forma de homenagear todas as nossas comunidades e destina-se a assinalar particularmente o seu esforço, a sua dedicação e a forma persistente como têm defendido o nome dos Açores”, referiu o Diretor Regional, acrescentando que as comunidades açorianas "têm demonstrado capacidade" para promover o interesse dos jovens pelas suas raízes, além de dinamizarem a preservação da cultura açoriana "fora do espaço arquipelágico”.

A Casa dos Açores do Algarve foi fundada oficialmente em maio de 1993, mas a sua génese remonta ao início de 1992, ao Núcleo dos Açores do Algarve, instituição não oficial que, durante quase dois anos, assumiu a divulgação das ilhas açorianas naquela zona do continente português.

Um dos feitos relevantes e marcantes preconizado pela Casa dos Açores do Algarve foi a reintrodução do culto do Divino Espírito Santo naquela zona do país.

A última manifestação desta devoção datava de meados do século XIX, em Tavira, tendo a Casa dos Açores do Algarve reposto esta tradição, quase século e meio depois, em 1996, no seu conceito original.




GaCS