terça-feira, 13 de setembro de 2011

Carlos César diz que os Açores são um espaço de projecção estratégica para os dois lados do Atlântico


Ao discursar esta manhã na sessão de abertura da 16ª Conferência Internacional Metropolis, que decorre em Ponta Delgada, o Presidente do Governo dos Açores considerou que a região é, pelas boas políticas públicas na área das migrações, um palco privilegiado para a realização deste encontro.


“As nossas comunidades no exterior, tal como, mais recentemente, os imigrantes que acolhemos e que se tornaram parte, por vontade própria, da construção da nossa sociedade, constituem um capital imprescindível na definição e afirmação dos Açores que fomos e que somos”, disse Carlos César.


Historiando os movimentos migratórios protagonizados pelos açorianos – para o Brasil, o Havai, os Estados Unidos, o Canadá e as Bermudas – referiu que, nos últimos 60 anos, cerca de 200 mil pessoas saíram das ilhas, ou seja, quase tantas pessoas quantas as que vivem hoje no arquipélago.


“Os Açores – que já careciam de condições mínimas para o seu processo de desenvolvimento, que viviam sob um regime centralizado em Lisboa e sem autonomia de decisão –, viam assim também reduzido o necessário capital humano para alavancar o seu progresso e conferir escala e dimensão à sua economia”, acentuou Carlos César, para logo acrescentar que “felizmente essa realidade mudou e os tempos actuais são diferentes.”


Para o Presidente do Governo Regional, “os Açores de agora são um espaço de afirmação da periferia e da fronteira da Europa, de projecção estratégica para as duas margens do Atlântico, e têm feito um percurso, particularmente nos últimos anos, de convergência para os indicadores económicos e sociais médios da União Europeia que integra.”


E isso acontece, na sua opinião, sem que a região perca as ligações que mantém com os açorianos espalhados pelo mundo, em comunidades em que a sua afirmação e a defesa da sua herança cultural passam pela rede de Casas dos Açores, cuja actividade assume também “uma vertente fundamental de projecção dos Açores junto dos países de acolhimento e de promoção dos nossos interesses estratégicos e comerciais, reforçando a componente institucional da sua acção. Ao capital afectivo junta-se, assim, o capital estratégico que constitui mais de um milhão de açorianos residentes no exterior.”


Mas, como salientou Carlos César, os Açores passaram a ser, também, uma região de imigração, uma realidade que considerou estimulante por aquilo que “diz” da região enquanto foco de atracção para outros, mas que coloca desafios complexos e multifacetados inerentes à condição de local de acolhimento.


“A integração na sociedade açoriana é, contudo, para nós, factor determinante para o bem-estar de cada imigrante e de cada cidadão que resida nas nossas ilhas, pelo que tem sido preocupação do Governo dos Açores fazer com que aqueles que escolheram este arquipélago para trabalhar, residir e ou fixar a sua família, tenham, dentro do quadro legal instituído, uma integração plena, natural e harmoniosa”, realçou.


Considerando ser, nesse âmbito, a experiência emigratória açoriana uma mais-valia, Carlos César manifestou-se convicto de que os Açores têm sabido estar à altura das responsabilidades de região de acolhimento, o que reforça a sua convicção de que o arquipélago é um local adequado para se discutir o futuro das migrações face às mudanças globais.


“A constante mobilidade associada à reestruturação em curso das estruturas económicas, as novas centralidades políticas e sociais e as instabilidades locais e regionais em determinados pontos do globo, bem como os fenómenos extremos derivados das alterações climáticas, irão obrigar os decisores políticos a prestarem cada vez maior atenção à problemática das migrações, buscando soluções adaptadas aos novos desafios”, concluiu.


GaCS

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