
A Diretora Regional da Educação e Formação afirmou hoje, na Horta, que o abandono escolar, ainda que esteja a decrescer nos Açores, é altamente negativo, já que se traduz numa “saída desqualificada” dos jovens.
A ideia foi expressa na abertura de um “plenário” de crianças e jovens que decorreu na Assembleia Legislativa Regional no âmbito da V Semana dos Direitos – Absentismo e Abandono Escolar, organizada pela Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) da Horta.
Muitas vezes atraídos pelo mercado de trabalho, os jovens que abandonam a escola “chegam na sua maioria aos meios laborais sem qualquer qualificação profissional, reproduzindo, muitas vezes, o ciclo de pobreza não apenas económica, mas também de competências, de saber-fazer e de escolhas”, disse Graça Teixeira.
Por isso, defendeu aquela responsável, urge combater toda esta “situação de graves repercussões socias, apostando em vias diversificadas de formação que respondam à diversidade de perfis dos nossos alunos”.
A este propósito, Graça Teixeira adiantou que, nos últimos anos, o abandono escolar decresceu nos Açores na sequência “da revisão curricular da educação básica, da criação de percursos alternativos, de programas de recuperação da escolaridade e do aumento da oferta formativa de cursos profissionais ou profissionalmente qualificantes”.
Segundo advogou, “cada jovem deve construir, com a ajuda da família, das forças sociais e da própria escola, um projeto de vida e um projeto de aprendizagem, evitando andar, nos melhores anos da sua vida, à deriva, por entre a frustração, a abulia, o conformismo e o insucesso”.
A Diretora Regional da Educação e Formação lembrou ainda que o abandono e o absentismo escolares estão associados a “muitas outras problemáticas, nomeadamente a negligência, que tem registado um aumento preocupante”, adiantando merecer “reflexão o número crescente de caso sinalizados e relacionados com a negligência familiar e a ausência de relações familiares estáveis”.
O consumo de drogas entre os jovens também pode levar ao absentismo, mas “é difícil atuar com eficiência na resolução deste problema, que vem do exterior” das escolas, reconheceu aquela responsável.
Para Graça Teixeira, mais complexo que o das substâncias ilícitas é o controlo do consumo de álcool entre menores, já que tal “é muitas vezes socialmente tolerado”.
Para entender as decisões e atitudes dos jovens no que toca ao absentismo e ao abandono escolares, defendeu ser “imprescindível a intervenção junto das famílias e da comunidade”, visto que “é o meio familiar que muitas vezes impele, direta ou indiretamente, o aluno a abandonar precocemente a escola”.
Conforme referiu, as várias causas do abandono escolar têm como focos principais a escola, a família, o meio social e o mercado de trabalho, pois “é geralmente num deles que reside a explicação da maioria das situações reais e potenciais deste fenómeno”.
“As CPCJ, as escolas e as entidades públicas da área social têm, assim, um amplo desafio à sua frente para salvaguardar os direitos da criança e do jovem e prevenir ou pôr termo a situações que violem estes direitos”, defendeu a Diretora Regional da Educação e Formação.
Para tal, argumentou Graça Teixeira, “é imprescindível o trabalho conjunto das CPCJ com as famílias e as escolas, bem como a elaboração de projetos inovadores no domínio da prevenção primária dos fatores de risco ou ainda a constituição e funcionamento de uma rede de respostas sociais e adequadas”.
GaCS
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