
Os Açores deveriam ser apontados como exemplo, numa altura em que “muitos falam no regresso aos campos”, pela forma como esta atividade tem vindo a ser consolidada “ao longo dos últimos anos” na Região.
São palavras do Secretário Regional da Agricultura e Florestas, falando domingo à noite no encerramento das V Jornadas Agrícolas da Praia da Vitória.
Noé Rodrigues sublinhou que, no arquipélago, “existem dos melhores indicadores da agricultura portuguesa, até reconhecidos por dirigentes nacionais, como é o caso do Presidente da CAP que afirmou que os Açores são a Região do País em que é mais interessante investir” na agricultura, entre outros aspetos, por beneficiar de “mais acompanhamento das políticas públicas”.
O governante lembrou o papel de que esta atividade tem para o desenvolvimento regional e, em particular, pela valorização do mundo rural, bem como o reconhecimento social do trabalho dos agricultores açorianos.
Citando dados do último Censos Agrícola (1999-2009), Noé Rodrigues destacou, desde logo, o facto de não ter havido abandono de terras na Região, havendo mesmo mais procura, ao contrário do que se passou no resto do País.
“No mesmo período, segundo o Instituto Nacional de Estatística, a dimensão económica das explorações açorianas cresceu 70,4% a mais do que a média nacional e melhorámos 85% das nossas pastagens”, enquanto no continente essa intervenção se ficou pelos 25%.
Outro indicador que Noé Rodrigues disse ser muito importante é o facto de o Censos revelar que “somos a região com mais jovens na agricultura, e isto significa que há futuro para a nossa agricultura e que há consideração social pelo agricultor”.
Na taxa de alfabetização e nos cursos de formação específica para o sector os Açores lideram também os indicadores nacionais. “Só este ano, temos programados 67 cursos, envolvendo mais de mil agricultores”, revelou, a propósito, o governante.
Noé Rodrigues salientou, ainda, outros números que demonstram o crescimento da atividade agrícola nos arquipélago, como é o caso da produção de leite, que atingiu, no ano passado, 540 milhões de litros, ou o aumento, de 2006 para 2011, do número de animais abatidos, que passou de 32 mil para mais de 71 mil, “um crescimento, em tão pouco tempo, de 125%”, conforme sublinhou.
O Secretário Regional congratulou-se, também, pelo crescente investimento na diversificação agrícola, com a hortofloricultura a ter cada vez mais produtores interessados. Em 2007 o Governo dos Açores apoiou projetos relativos a 410 hectares de produção, enquanto que em 2011 essa área atingiu 830 hectares, um crescimento de 102%.
Noé Rodrigues disse ainda, que nestes segmentos de produção existe ainda muita capacidade de crescimento e muitos agricultores interessados, e revelou que estão já aprovados projetos no valor de nove milhões de euros e que foram já recebidas candidaturas para um montante de incentivos de mais cinco milhões, o que esgota esta medida comunitária de apoio.
Ainda nestes segmentos, na logística de mercado - receção, transformação e preparação para venda -, “que valoriza esses produtos”, decorrem investimentos de cinco milhões de euros e há novos projetos no valor de mais quatro milhões, anunciou ainda Noé Rodrigues.
A concluir, o Secretário Regional declarou ter confiança no futuro, fruto do trabalho de consolidação que vem sendo feito no sector. “A nossa aposta, portanto, não é já o passado, é manter, aprofundar e melhorar esse trajeto que nós temos percorrido na agricultura açoriana”, em que os agricultores açorianos “têm tido bons resultados” e demonstram capacidade para inovar e continuar a crescer.
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