quinta-feira, 15 de março de 2012

Intervenção do Secretário Regional da Agricultura e Florestas


Texto integral da intervenção do Secretário Regional da Agricultura e Florestas, Noé Rodrigues, proferida hoje, na cerimónia de entrega de diplomas de formação profissional agrária a agricultores da ilha de Santa Maria:



“Não há uma boa agricultura sem bons agricultores.


Nos tempos que correm um bom agricultor é o que domina com competência os conhecimentos necessários à sua atividade profissional, em particular nas áreas onde concentra o seu esforço de trabalho e de investimento.


Não basta querer fazer agricultura. É também necessário querer adquirir competências e atitudes, ganhar e renovar conhecimentos, atualizar práticas e acompanhar o contexto global das alterações económicas, tecnológicas e ambientais que impõem, por si só, uma constante adaptação do processo produtivo a novas regras e exigências.


Quem olha para a agricultura que hoje se faz nos Açores facilmente se apercebe da evolução que se tem verificado nos domínios da modernização das infraestruturas, das organizações socioprofissionais e das agroindústrias. Mas quem olha com atenção para a nossa agricultura também vê a modernização operada nas explorações agrícolas, não só ao nível da mecanização introduzida, mas também ao nível do trabalho executado pelos seus ativos. E esta melhoria de desempenho passou e continuará a passar pela vontade permanente de aumentar e renovar competências, num processo contínuo de investimento em informação, em formação profissional e na vulgarização das melhores e inovadoras práticas agrícolas de referência.


A conjugação dos investimentos nas estruturas produtivas de transformação e comercialização com os investimentos na informação e formação agrária dos agricultores é a chave do êxito que fomentamos, em conjunto com as organizações representativas dos agricultores. É certo que nem sempre obtemos os melhores e imediatos resultados que desejávamos, mas, apesar das circunstâncias com que nos deparamos, como as que agora vivemos, temos melhorado muito as nossas capacidades e a competência com que respondemos às dificuldades.


É por todo este esforço que temos feito em conjunto que a agricultura açoriana tem registado interessantes níveis de resistência às dificuldades que todos conhecem e que todos sabemos existirem em todo o lado, mesmo nas regiões e nos países mais ricos do mundo.


Nos dias de hoje, ser agricultor é exercer uma atividade muito exigente ao nível da gestão da informação e da permanente aquisição de formação. Ser agricultor, nos dias de hoje, é possuir conhecimentos e práticas técnicas, não só nas áreas da gestão e da informática, como também nas áreas da produção e reprodução, da alimentação animal e da nutrição, da sanidade e saúde animal, da sanidade vegetal, da segurança alimentar e do uso e aplicação de fatores de produção como os produtos fitofarmacêuticos, ou mesmo do controlo de qualidade dos produtos e, até, das suas melhores condições de apresentação aos mercados.


É por tudo isso que o Governo mantém, dinamiza e apoia um vasto plano de Formação Profissional Agrária para que se aprofunde a modernização do sector pela competência dos nossos agricultores e do seu percurso formativo. A concretização deste objetivo de formação responde ainda à crescente responsabilidade dos agricultores no âmbito de situações especiais, como sejam a segurança no trabalho, a qualidade e higiene dos produtos agrícolas e pecuários, a qualidade dos produtos alimentares, a segurança alimentar e a saúde pública.


No caso dos Jovens Agricultores a formação profissional é também condição essencial ao exercício da profissão, permitindo-lhes adquirir um dos requisitos necessários no acesso aos apoios disponibilizados para a sua instalação.


Respondendo a todas essas exigências e à própria vontade dos agricultores, que muitas vezes sugerem novas áreas em que sentem necessidade de se qualificarem, temos executado um bom plano de Formação Agrária que concretizou 237 cursos nos últimos quatro anos, envolvendo mais de 4.000 formandos, num investimento superior a 1,2 milhões de euros.


Aqui em Santa Maria, por exemplo, entre 2009 e 2011 foram realizadas 13 ações de formação profissional agrária, envolvendo 198 formandos/agricultores, nos cursos de Formação Base para Jovens Agricultores, Bovinicultura de Carne, Horticultura, Apicultura e Aplicação de Produtos Fitofarmacêuticos.


Ainda para o corrente ano, e para Santa Maria, já estão planeadas novas iniciativas de formação, nas áreas da inseminação artificial de ovinos em subcentros particulares, na análise de parâmetros na produção de bovinos de carne, na produção pratense e forrageira e na fertilidade do solo e fertilizantes.


Apesar da necessidade e continuarmos a investir na melhoria das redes de caminhos agrícolas, no reforço da captação, armazenagem e distribuição de água ou no apoio ao investimento nas estruturas produtivas, de transformação e comercialização, a formação continuará a ser uma das melhores marcas da nossa modernidade.


Ao investirmos em formação agrária induzimos potencial de modernização na nossa agricultura, dando-lhe uma impressiva marca de competência e de saber fazer que é essencial na atividade diária dos nossos agricultores e, em especial, dos nossos Jovens Agricultores, que representam a melhor garantia de que a nossa agricultura tem futuro.


Quando dizemos que confiamos no futuro da nossa agricultura, fazemo-lo porque sabemos que os Açores têm uma percentagem de agricultores com menos de 24 anos que é seis vezes superior às do Continente e da Madeira e porque temos, também, a maior percentagem da Europa de jovens agricultores em ações de formação.


Esta cerimónia confirma que o caminho está traçado e que é o caminho certo. Resta agora percorrê-lo com vontade de chegar a esse futuro”.



GaCS

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