segunda-feira, 24 de maio de 2010

No Dia dos Açores, Carlos César diz que a origem e a tradição da autonomia constituem um sério aviso aos centralistas



Carlos César disse hoje que, no dia em que se celebra o Espírito Santo em todos os Açores – e, por isso há uma garantia de coesão e de harmonia – “o que mais releva é saber-se que todos nós, de diferentes origens e condições, convicções religiosas ou partidárias, queremos ser insuperáveis na salvaguarda desse poder de liberdade e de autodeterminação.”

Falando na Vila do Corvo, no decorrer da sessão solene comemorativa dos Dia dos Açores, o Presidente do Governo aludiu a obras de diversos autores e recordou “sentenciosos vaticínios sobre o Corvo como improbabilidade da geografia humana”, para traçar o perfil dos corvinos, em particular, e dos açorianos, em geral, como gente tenaz que sabe ter de trabalhar muito, já que “raramente, o que é trabalho de outros é fruto que nos seja oferecido.”

Citando a vontade expressa por Mouzinho da Silveira de ser sepultado no Corvo, excepto se o seu testamenteiro não quisesse “carregar com esta trabalheira”, Carlos César recordou que acabou por acontecer exactamente isso, concluindo que, “como no caso do testamenteiro de Mouzinho, muito poucos, de fora, se dão ao trabalho… Como tenho dito, contemos, pois, sobretudo, connosco.”

Isso não significa, como sublinhou, lutar pela “nossa ambição de voar por conta própria, como num sonho dourado, inteiro e limpo como no branco primordial e infinito no azul estendido onde prolongamos o nosso olhar”.

Para Carlos César, “aquiescemos que aqui é Portugal – lembramos mesmo, amiudadamente, aos continentalistas, que assim é – mas queremos mais: sempre muito mais do que temos tido e sido como europeus do Atlântico.”

Realçando o papel importante que desde sempre os Açores têm desempenhado no contexto nacional e nas relações transatlânticas, quer pela qualidade da sua gente, quer pela mais-valia da sua localização geográfica, o governante socorreu-se de uma afirmação de Teófilo Braga – um dos homenageados, a título póstumo, nesta sessão solene, que disse serem “um perigo as intervenções reformadoras sem conhecimento das origens venerandas, cuja tradição não deve ser apagada” – para lançar avisos a partir da mais pequena ilha do arquipélago.

“Nós, açorianos, temos uma tradição já multissecular: a da nossa Autonomia. A sua origem é veneranda, a sua tradição é um sério aviso aos centralistas. É isso que reafirmamos neste Dia dos Açores. Firmes, como nos é próprio!”

O governante, frisando serem necessárias uma cultura de solidariedade e uma política de autenticidade, não só em Portugal como por toda a parte, face às incertezas provocadas pelas dificuldades actuais, afirmou que a crise não é só portuguesa e muito menos açoriana.

“A crise atinge lugares onde vive gente do nosso sangue, em Fall River, onde o desemprego chega aos 16%, em New Bedford, onde beira os 14, em Providence e em S. José da Califórnia, onde fica bem acima dos 12%, em Toronto, onde já subiu para os 10%, o mesmo valor que atinge, neste momento, a taxa média de desemprego na União Europeia; ou em regiões ultraperiféricas europeias como a nossa, onde encontramos taxas de desemprego superiores a 20%, ou, ainda, como nas Canárias, nossa vizinha atlântica, em que os últimos dados confirmam que perto de 28% da população está desempregada, ou seja, quatro vezes mais do que nos Açores”, recordou.

Salientando que “resistimos melhor, porque tínhamos a nossa economia mais segura”, o Presidente do Governo deixou uma mensagem de incentivo, afirmando que “as famílias açorianas, os cidadãos, a juventude, os empresários e todas as instituições empreendedoras devem ter confiança no futuro: a narrativa da Autonomia demonstrou que somos capazes de suplantar as dificuldades, sejam elas as decorrentes das peculiaridades da Natureza, das contingências da História ou das falhas da economia.”

Carlos César manifestou-se convicto de que, havendo, como há, nos Açores a certeza do que tem de ser feito para superar as dificuldades impostas pela crise internacional, o caminho a seguir passa pela entreajuda.

“Ajudemo-nos, então, uns aos outros, um pouco mais, para vencer. Dirijo, assim, uma palavra de ânimo aos que atravessam dificuldades e um apelo à responsabilidade empreendedora dos que podem fazer mais pelos Açores. Mais do que nunca, o caminho está traçado pelo nosso Hino: “Para a frente! Lutar, batalhar!”.Tenho a certeza de que nunca há-de faltar uma razão para que não se pense e não se diga: Que bom é ser Açoriano!”, concluiu.


GaCS/CT

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