quarta-feira, 14 de abril de 2010

Carlos César sustenta que os Açores são muito mais do que um lugar na mesa das conversações entre países




O Presidente do Governo Regional reafirmou esta manhã a importância da posição geoestratégica dos Açores, defendendo a ideia de que “as ilhas são um núcleo de encontro e intersecção necessária entre continentes e entre o Norte e o Sul.”

Para Carlos César, os recentes fenómenos e alinhamentos internacionais “inculcam uma consciência cada vez maior sobre a natureza do espaço Atlântico como área privilegiada exponencial de cooperação”, sendo, por isso, ainda hoje, inteiramente válida a ideia expressa por Franklin Roosevelt, segundo o qual os Estados Unidos viam o Atlântico “não como um produto acabado, mas antes como um projecto em curso”.

Falando na sessão de abertura de mais um fórum dedicado precisamente ao antigo presidente norte-americano – o II Fórum Açoriano Franklin D. Roosevelt, a decorrer na ilha Terceira e organizado, em parceria, pela Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD) e pelo Governo dos Açores – o orador recordou a clara opção do estadista pelo diálogo e pela cooperação para estabelecer um paralelo com os propósitos anunciados por Barack Obama, actual residente na Casa Branca, e concluir que a ambos é comum um pensamento político que defende “a cooperação no planeamento e na acção com todos aqueles que desejam um mundo em paz”.

Ora, “se Roosevelt teve de governar num mundo em mudança pela emergência bélica de um conjunto de ambições expansionistas regionais, levando-o a definir e aplicar uma política estratégica de alianças centrada no Atlântico, temos hoje outros considerandos semelhantes”, lembrou o presidente do Governo.

A emergência dos chamados países BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) será – como salientou – um desses considerandos, mas a constituição e progressivo alargamento da União Europeia e a proliferação de micro-poderes erráticos e dispersos obrigam, igualmente, a considerar uma eventual nova ordem mundial.

E é nesse cenário de uma nova geração de políticas de concertação estratégica intercontinental que Portugal, “por via da sua história e da geografia das suas regiões autónomas”, pode figurar entre os países liderantes da reformulação do padrão de relações no Atlântico

Carlos César sublinhou que tem dito, várias vezes, ser esse o dever de uma diplomacia que se pretende inovadora e que é isso que se impõe a um Estado que tem o dever de potenciar as vantagens competitivas da sua geografia e da sua plataforma insular atlântica.

“E digo isto porque já se perderam algumas oportunidades, como o repto que deixei na primeira edição deste fórum e que permitiria à Base das Lajes reposicionar-se enquanto infra-estrutura de ligação fundamental também a Sul, o que hoje será apenas um desejo irrealizável, ou a preocupação que manifestei, na mesma altura, no sentido de garantir uma resolução célere e com a devida profundidade de análise da questão referente a uma eventual implementação de um campo de treinos de caças com sede na Base Aérea n.º 4”, realçou.
E o Presidente do Governo Regional salientou mesmo que “os Açores, pela sua localização, pelo seu histórico papel na consolidação das nações americana e brasileira, e pelo seu tradicional relacionamento de proximidade afectuosa e de cooperação efectiva com os arquipélagos africanos do Atlântico, não podem deixar de ser considerados peça fundamental de uma tal estratégia de retoma do valor transatlântico.”

Segundo Carlos César, as parcerias com instituições norte-americanas, a instalação, na Região, de infra-estruturas de investigação científica de última geração e a projecção dos Açores daí resultante são provas concretas de uma mais-valia para o todo nacional.

“A Base das Lajes – que muitos teimam em avaliar, quase sempre negativamente, apenas com base nos avanços da aeronáutica ou nos progressos da tecnologia de aplicação militar – é, neste quadro, muito mais do que uma reserva de apoio à projecção de forças, e os Açores são muito mais do que um assento na mesa das conversações bilaterais”, concluiu.



GaCS/CT

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