
O Príncipe Alberto I do Mónaco (1848-1922), a quem se ficou a dever a descoberta nas águas do arquipélago do grande banco Princesa Alice e da fossa do Hirondelle, foi hoje homenageado na Horta pela sua “contribuição para o conhecimento científico do mar dos Açores”.
A homenagem, uma iniciativa conjunta do Município da Horta e do Instituto de Meteorologia, teve lugar no Observatório Príncipe Alberto de Mónaco, no âmbito de uma visita oficial de dois dias à ilha do Faial do Príncipe Alberto II, trineto do príncipe-cientista monegasco.
Para além do chefe da Casa Grimaldi e actual governante do Principado do Mónaco, assistiram também a esta cerimónia, durante a qual foi descerrada uma lápide comemorativa no exterior do observatório meteorológico faialense, o Representante da República e os Presidentes da Assembleia Legislativa e do Governo dos Açores.
A visita ao observatório faialense ficou ainda marcada pela assinatura de um protocolo de cooperação entre o Museu Oceanográfico do Mónaco e o Instituto de Meteorologia, a quem o príncipe monegasco ofereceu um exemplar, publicado em 1904, do fascículo XXV da obra Resultats des campagnes scientifiques accomplies sur son yacht par Albert Ier, prince souverain de Monaco, dedicado às Spongiaires des Açores.
Oceanologista e meteorologista, Alberto I do Mónaco realizou entre 1885 e 1915, a bordo dos seus navios L’Hirondelle, Princesse-Alice, Princesse-Alice II e L’Hirondelle II, 28 campanhas oceanográficas, 13 das quais dedicadas, no todo ou em parte, ao estudo do arquipélago açoriano.
Numa dessas campanhas, o príncipe descobriu a 9 de Julho de 1896, a sudoeste das ilhas do Faial e do Pico, o banco Princesa Alice, um monte submarino cuja profundidade mínima ronda os 35 metros. Em sinal de reconhecimento por essa descoberta, que viria a revelar-se de grande importância por oferecer novos recursos pesqueiros à frota açoriana, o Rei D. Carlos agraciou o Príncipe Alberto do Mónaco com o Grande Colar da Ordem de Santiago da Espada.
Nos mares dos Açores, o príncipe monegasco localizou também em 1902, entre as ilhas Terceira e S. Miguel, a fossa do Hirondelle, um enorme “fundão” com a profundidade máxima de 3200 metros, e realizou ainda aquelas que foram as primeiras experiências para a pesca nos grandes fundos com covos iluminados electricamente.
Alberto I do Mónaco interessou-se igualmente pela biologia da água doce, realizando investigações em S. Miguel (Lagoa das Sete Cidades), Flores (Lagoa Funda) e Faial (Caldeira), e empenhou-se para que o Governo Português construísse observatórios meteorológicos em várias ilhas dos Açores.
A homenagem realizada este sábado é já a segunda, prestada na ilha do Faial, ao fundador do Museu Oceanográfico do Mónaco e autor do livro La Carrière d’un Navigateur, uma obra auto-biográfica com inúmeras referências aos Açores.
A primeira aconteceu a 23 de Setembro de 1923, quando a Câmara Municipal da Horta, em sessão solene, à qual se associaram representantes do Presidente da República, do Príncipe Luís II do Mónaco, das Juntas Gerais e das Câmaras Municipais açorianas, resolveu dar o nome de Príncipe Alberto do Mónaco, que entretanto tinha falecido em Paris em Junho do ano anterior, “à estrada que da cidade conduz ao Observatório”.
Meses antes, também o Governo Português, por decreto de 19 de Junho, decidira rebaptizar o Observatório Meteorológico da Horta como Observatório Príncipe Alberto do Mónaco “em homenagem ao interesse que sempre lhe mereceu a fundação e os progressos do Serviço Meteorológico dos Açores”.
Com sede em Ponta Delgada, o Serviço Meteorológico dos Açores foi instituído por Carta de Lei de 12 de Junho de 1901 e dele fez parte, desde início, o Observatório da Horta, cuja primeira pedra seria lançada nesse mesmo mês e ano, em cerimónia presidida pelo Rei D. Carlos.
GaCS/FG







Sem comentários:
Enviar um comentário