quarta-feira, 7 de abril de 2010

Intervenção do Secretário Regional da Saúde


Texto integral da intervenção do Secretário Regional da Saúde, Miguel Correia, proferida hoje, na assinatura de um protocolo de cooperação para implementação nas escolas do Programa Regional de Saúde Escolar e Infanto-juvenil, integrado nas comemorações do Dia Mundial da Saúde, na Praia da Vitória:

“Hoje é o dia mundial da saúde e hoje começa o programa regional de Saúde Escolar e de Saúde Infanto-Juvenil.

A escola como bem sabemos é o berço da cidadania e se queremos uma sociedade saudável, se queremos cidades mais saudáveis, temos necessariamente de intervir no meio escolar.

Muitas das nossas crianças e dos nossos jovens têm excesso de peso, têm uma alimentação desequilibrada e praticam pouca actividade física. Por outro lado a ameaça constante das dependências coloca em sério risco a adopção plena de uma vida saudável.

Com o programa de saúde escolar:

- queremos que as nossas crianças sejam vistas regularmente pelo médico;

- que os seus parâmetros de saúde sejam avaliados periodicamente;

- Queremos que os nossos jovens saibam mais sobre saúde, saibam cozinhar refeições rápidas, divertidas e saudáveis;

- Queremos que eles saibam a importância da actividade física regular;

- E queremos sobretudo que conheçam os riscos das dependências e que saibam dizer “não”.

O Governo dos Açores elege assim como prioritário este programa no contexto do Plano Regional de Saúde e avaliará anualmente a sua execução.

Trata-se efectivamente de um Plano de grande alcance em termos de prevenção e, porventura, um dos mais sólidos investimentos na saúde.

Das vias verdes coronária e do AVC, dos rastreios oncológicos, dos protocolos clínicos, e de muitas outras medidas preconizadas nos onze programas que integram o Plano Regional de Saúde, conseguiremos, estamos certos – melhorar as condições de saúde dos açorianos em 2012.

Mas não posso deixar de falar-vos neste dia especial do problema da falta de médicos de família nos Açores.

Primeiro para corrigir afirmações pouco reflectidas quanto à sua dimensão.

Ao se afirmar que 40% da nossa população não tem médico de família ou que existem 100.000 açorianos sem médico de família, ignora-se injustamente o esforço de muitos médicos, bons profissionais e com brio, em assistirem a muito mais do que a 1.500 pessoas. Quantos não são os médicos de família nos Açores que têm 1.800, 2.000 ou até 2.200 pessoas na sua lista?

Ignora-se também de forma primária o esforço que é feito pelos médicos de família nas Ilhas sem hospital em garantirem a total cobertura assistencial nos seus concelhos.

Mais do que nos fecharmos num gabinete é necessário circular pelos vários concelhos, pelas outras ilhas e conhecer essa realidade.

Actualmente existem, no máximo, 68.000 açorianos sem médico de família e concentram-se nos concelhos de Ponta Delgada, Ribeira Grande e Angra do Heroísmo.

E para resolver esta situação o Governo Regional já tomou várias medidas:

- Criou consultas para pessoas sem médico de família.

Hoje quem não tem médico de família pode marcar uma consulta e ser visto no prazo que varia entre 2 a 3 semanas. Esta, apesar de ser uma medida de recurso, tem sido valorizada pelas pessoas que a utilizam;

- Em segundo lugar, o Governo dos Açores, aumentou os incentivos à fixação de médicos nestes concelhos, acrescendo mais de 100.000,00 euros (num período de 5 anos) para além das prestações de trabalho normal e extraordinário;

- E em terceiro lugar resolveu acrescer as bolsas para os internos de Medicina Geral e Familiar em mais 472€ por mês.

Mas este é de resto um problema nacional e que se prende estruturalmente com as vagas para medicina nas universidades em Portugal. E a este nível é determinante o envolvimento da Ordem dos Médicos.

Pelo que nos compete vamos apostar em medidas que promovam a eficiência dos recursos humanos.

Queremos premiar a produtividade dos profissionais de saúde, mas acima de tudo queremos garantir que mais açorianos tenham médico de família.

Aliás, o nosso desejo é que todos os açorianos tenham médico de família. É para isso que trabalhamos todos os dias.”


GaCS/RC

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