
Texto integral da intervenção do Secretário Regional da Saúde, Miguel Correia, proferida hoje, na assinatura de um protocolo de cooperação para implementação nas escolas do Programa Regional de Saúde Escolar e Infanto-juvenil, integrado nas comemorações do Dia Mundial da Saúde, na Praia da Vitória:
“Hoje é o dia mundial da saúde e hoje começa o programa regional de Saúde Escolar e de Saúde Infanto-Juvenil.
A escola como bem sabemos é o berço da cidadania e se queremos uma sociedade saudável, se queremos cidades mais saudáveis, temos necessariamente de intervir no meio escolar.
Muitas das nossas crianças e dos nossos jovens têm excesso de peso, têm uma alimentação desequilibrada e praticam pouca actividade física. Por outro lado a ameaça constante das dependências coloca em sério risco a adopção plena de uma vida saudável.
Com o programa de saúde escolar:
- queremos que as nossas crianças sejam vistas regularmente pelo médico;
- que os seus parâmetros de saúde sejam avaliados periodicamente;
- Queremos que os nossos jovens saibam mais sobre saúde, saibam cozinhar refeições rápidas, divertidas e saudáveis;
- Queremos que eles saibam a importância da actividade física regular;
- E queremos sobretudo que conheçam os riscos das dependências e que saibam dizer “não”.
O Governo dos Açores elege assim como prioritário este programa no contexto do Plano Regional de Saúde e avaliará anualmente a sua execução.
Trata-se efectivamente de um Plano de grande alcance em termos de prevenção e, porventura, um dos mais sólidos investimentos na saúde.
Das vias verdes coronária e do AVC, dos rastreios oncológicos, dos protocolos clínicos, e de muitas outras medidas preconizadas nos onze programas que integram o Plano Regional de Saúde, conseguiremos, estamos certos – melhorar as condições de saúde dos açorianos em 2012.
Mas não posso deixar de falar-vos neste dia especial do problema da falta de médicos de família nos Açores.
Primeiro para corrigir afirmações pouco reflectidas quanto à sua dimensão.
Ao se afirmar que 40% da nossa população não tem médico de família ou que existem 100.000 açorianos sem médico de família, ignora-se injustamente o esforço de muitos médicos, bons profissionais e com brio, em assistirem a muito mais do que a 1.500 pessoas. Quantos não são os médicos de família nos Açores que têm 1.800, 2.000 ou até 2.200 pessoas na sua lista?
Ignora-se também de forma primária o esforço que é feito pelos médicos de família nas Ilhas sem hospital em garantirem a total cobertura assistencial nos seus concelhos.
Mais do que nos fecharmos num gabinete é necessário circular pelos vários concelhos, pelas outras ilhas e conhecer essa realidade.
Actualmente existem, no máximo, 68.000 açorianos sem médico de família e concentram-se nos concelhos de Ponta Delgada, Ribeira Grande e Angra do Heroísmo.
E para resolver esta situação o Governo Regional já tomou várias medidas:
- Criou consultas para pessoas sem médico de família.
Hoje quem não tem médico de família pode marcar uma consulta e ser visto no prazo que varia entre 2 a 3 semanas. Esta, apesar de ser uma medida de recurso, tem sido valorizada pelas pessoas que a utilizam;
- Em segundo lugar, o Governo dos Açores, aumentou os incentivos à fixação de médicos nestes concelhos, acrescendo mais de 100.000,00 euros (num período de 5 anos) para além das prestações de trabalho normal e extraordinário;
- E em terceiro lugar resolveu acrescer as bolsas para os internos de Medicina Geral e Familiar em mais 472€ por mês.
Mas este é de resto um problema nacional e que se prende estruturalmente com as vagas para medicina nas universidades em Portugal. E a este nível é determinante o envolvimento da Ordem dos Médicos.
Pelo que nos compete vamos apostar em medidas que promovam a eficiência dos recursos humanos.
Queremos premiar a produtividade dos profissionais de saúde, mas acima de tudo queremos garantir que mais açorianos tenham médico de família.
Aliás, o nosso desejo é que todos os açorianos tenham médico de família. É para isso que trabalhamos todos os dias.”
GaCS/RC







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